Tidal deixa de monetizar músicas geradas por inteligência artificial
- Marcello Almeida

- há 3 dias
- 2 min de leitura
Plataforma também passará a identificar conteúdos criados por IA e exigirá que distribuidores informem esse tipo de material antes do envio

O Tidal anunciou uma ampla atualização em suas políticas relacionadas ao uso de inteligência artificial na plataforma. A principal mudança estabelece que músicas inteiramente geradas por IA deixarão de receber royalties, em uma medida que busca priorizar obras criadas por artistas humanos.
As novas diretrizes foram publicadas nos termos e condições da empresa em 29 de junho e também incluem regras mais rígidas para a identificação e o envio desse tipo de conteúdo. Entre as novidades, o Tidal informou que passará a rotular músicas geradas por inteligência artificial para que os usuários saibam exatamente o que estão ouvindo. A empresa também afirmou que os distribuidores serão obrigados a informar previamente quando uma gravação tiver sido criada com auxílio de IA.
"Mas a responsabilidade de identificar e etiquetar o conteúdo gerado por IA não deve recair apenas sobre o Tidal. Esperamos — e começaremos a exigir — que os distribuidores de conteúdo identifiquem o conteúdo gerado por IA antes que ele chegue à nossa plataforma."
Além da identificação, a plataforma afirmou que adotará critérios mais rigorosos para combater conteúdos considerados enganosos ou associados a atividades fraudulentas.
Segundo a empresa, músicas criadas com o objetivo de induzir o público ao erro poderão ser bloqueadas ou removidas. A medida faz referência a casos recentes envolvendo faixas geradas por inteligência artificial que foram publicadas como se fossem de artistas reais.
A mudança mais significativa, no entanto, diz respeito à remuneração.
A partir das novas regras, músicas identificadas como totalmente geradas por IA não receberão royalties na plataforma.
Ao explicar a decisão, o Tidal reconheceu que o debate sobre direitos autorais e inteligência artificial ainda está em evolução.
“Estamos apenas no início da era da música gerada por IA. Reconhecemos o debate em curso sobre se certas músicas geradas por IA devem ter direito a royalties.”
Apesar disso, a empresa afirmou que sua prioridade continuará sendo remunerar obras criadas diretamente por pessoas.
“A prioridade do Tidal é garantir que os royalties sejam destinados a obras originais produzidas, escritas e interpretadas diretamente por pessoas. Portanto, não atribuiremos royalties, conscientemente, a músicas que identificamos como sendo inteiramente geradas por IA.”
As novas políticas também serão aplicadas ao Tidal Upload, serviço que permite que artistas independentes publiquem suas músicas diretamente na plataforma e recebam pagamentos por suas reproduções.
A iniciativa reforça o posicionamento do Tidal em meio ao crescimento das discussões sobre inteligência artificial na indústria musical. A plataforma já é reconhecida por adotar um modelo de remuneração mais favorável aos artistas e, com as novas regras, passa a estabelecer uma das políticas mais rígidas do setor em relação ao conteúdo criado por IA.
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