The Strokes divide opiniões com novo álbum, mas Albert Hammond Jr. sai em defesa do disco
- Marcello Almeida
- há 16 horas
- 3 min de leitura
Uso intenso de autotune nas novas músicas gerou críticas nas redes, mas guitarrista chamou Reality Awaits de “o álbum mais bonito” da carreira da banda.

O The Strokes sempre teve uma relação curiosa com expectativa. Desde os tempos de Is This It, qualquer mudança na sonoridade do grupo parece provocar uma pequena guerra civil entre fãs, críticos e admiradores ocasionais da banda. Talvez porque poucas bandas do rock dos anos 2000 tenham se tornado tão simbólicas para uma geração inteira.
E agora, com a chegada de Reality Awaits, isso está acontecendo de novo. Depois de divulgar os singles “Going Shopping” e “Falling Out of Love”, o grupo liderado por Julian Casablancas passou a enfrentar críticas nas redes sociais por causa do uso pesado de autotune nos vocais.
O debate rapidamente tomou conta dos fóruns, comentários e páginas de fãs. Para muita gente, o excesso de processamento vocal estaria sufocando justamente um dos elementos mais humanos e caóticos da identidade do Strokes. Mas enquanto parte do público reagia com estranhamento, Albert Hammond Jr. resolveu colocar fogo na conversa de um jeito inesperado.
Depois que um fã escreveu nas redes sociais algo como:
“Albert, eu sei que você não gosta, mano, pode falar pra gente”, o guitarrista respondeu de maneira completamente oposta ao que muita gente imaginava.
“É o meu álbum favorito que já fizemos. Não consigo expressar o quão lindo ele é. Eu ouço tudo e já quero começar do começo de novo. Ele cresce, cresce e fica incrivelmente bom.”
A declaração acabou surpreendendo parte dos fãs, principalmente porque muita gente começou a especular que o novo direcionamento sonoro teria provocado divisões internas dentro da banda.
E talvez esse desconforto diga muito sobre o próprio momento do Strokes. Porque, duas décadas depois de redefinirem o indie rock moderno, eles parecem cada vez menos interessados em repetir fórmulas que já dominaram perfeitamente no passado.
O novo álbum foi produzido por Rick Rubin e chega às plataformas digitais no dia 26 de junho. Mas antes mesmo do lançamento completo, o disco já virou alvo de críticas pesadas. Uma das reações mais comentadas veio do crítico musical Anthony Fantano, que detonou o uso de autotune nas novas músicas da banda.
“Que merda é essa? Isso é terrível. Isso é um lixo.”, afirmou.
Fantano continuou:
“Nós vamos deixar o Julian provocar uma diarreia em autotune em cada música desse disco?”
Apesar da repercussão negativa, existe um detalhe importante nessa história toda.
O The Strokes nunca foi exatamente uma banda confortável. Mesmo nos primeiros discos, havia sujeira, desafinação, ruído e uma sensação constante de colapso emociona escondida por trás das melodias elegantes.
Talvez agora isso apenas esteja aparecendo de outra forma. Mais digital. Mais estranha. Mais fragmentada. E honestamente, faz sentido. Porque Julian nunca pareceu interessado em envelhecer de maneira previsível.
Enquanto o debate segue crescendo na internet, os fãs brasileiros terão a chance de descobrir ao vivo como essa nova fase funciona no palco. A banda já foi confirmada como uma das atrações do Primavera Sound São Paulo 2026, que acontece nos dias 5 e 6 de dezembro no Autódromo de Interlagos.
E talvez seja justamente ali, diante do público, que Reality Awaits encontre seu verdadeiro teste. Porque alguns discos nascem para serem compreendidos imediatamente. Outros precisam primeiro atravessar resistência, desconforto e estranhamento antes de finalmente revelarem o que realmente são.
.png)