SoundCloud permitirá que artistas vendam músicas diretamente aos fãs sem cobrar comissão
- Marcello Almeida

- há 21 horas
- 3 min de leitura
Novo recurso começa a ser testado com criadores selecionados nos Estados Unidos e permitirá que o valor das vendas fique com os artistas, descontados apenas taxas e impostos

O SoundCloud anunciou que passará a permitir a venda de músicas diretamente aos fãs dentro da plataforma. A novidade foi apresentada nesta semana e inicialmente será testada com um grupo selecionado de artistas que utilizam o plano Artist Pro nos Estados Unidos.
Segundo a empresa, o objetivo é expandir posteriormente a ferramenta para outros mercados.
Um dos principais pontos do novo modelo está na remuneração: o SoundCloud afirma que não cobrará comissão sobre as vendas realizadas pelos artistas. Do valor pago pelo público serão descontadas apenas as taxas aplicáveis e impostos.
Artistas poderão vender música dentro da própria plataforma
Com a novidade, o SoundCloud amplia as ferramentas oferecidas aos músicos que utilizam o serviço não apenas para distribuir suas gravações, mas também para construir uma comunidade em torno de seus trabalhos.
O CEO da empresa, Eliah Seton, afirmou que a intenção é concentrar diferentes etapas da carreira de um artista dentro da mesma plataforma.
“Os artistas devem poder construir seu público em um só lugar, em uma única plataforma. O SoundCloud sempre foi onde os artistas encontram seus primeiros fãs e constroem comunidades reais”, afirmou.
Seton acrescentou que a empresa pretende continuar incorporando ferramentas que permitam aos músicos desenvolver suas carreiras e receber apoio financeiro diretamente de seus ouvintes.
A venda de músicas passa a integrar uma estrutura que já inclui outros mecanismos de monetização. Artistas também podem utilizar serviços relacionados à comercialização de vinis e ingressos, além das ferramentas de distribuição oferecidas pela plataforma.
Modelo aproxima SoundCloud do Bandcamp
A estratégia coloca o SoundCloud em um território já explorado por plataformas dedicadas à relação direta entre músicos e público.
Um dos exemplos mais conhecidos é o Bandcamp, que permite a compra de músicas e produtos diretamente dos artistas e criou iniciativas como o Bandcamp Friday, quando abre mão de sua participação nas vendas em datas específicas.
Outra plataforma que adotou um modelo voltado às vendas diretas foi a Nina Protocol, adquirida em julho. A diferença anunciada pelo SoundCloud está justamente na decisão de não cobrar comissão sobre as compras realizadas por meio de seu novo recurso, mantendo apenas os descontos referentes a taxas e impostos.
SoundCloud também revisou política sobre inteligência artificial
A mudança chega depois de a empresa enfrentar questionamentos sobre sua política envolvendo inteligência artificial. As críticas ganharam força após a divulgação de alterações feitas anteriormente nos termos de uso da plataforma e das possibilidades de utilização de conteúdo em sistemas relacionados à IA.
Diante da repercussão, Seton afirmou que o SoundCloud não havia utilizado músicas de seus artistas para treinar modelos de inteligência artificial nem autorizado terceiros a extrair esse conteúdo com essa finalidade.
“Nossa posição é simples: a IA deve apoiar os artistas, não substituí-los”, declarou.
Segundo o executivo, a inteligência artificial é utilizada internamente em recursos como recomendações, buscas, playlists, classificação de conteúdo e prevenção de fraudes.
Posteriormente, o SoundCloud modificou seus Termos de Uso para esclarecer que conteúdos enviados pelos usuários somente poderão ser utilizados para treinamento de IA mediante consentimento.
Agora, ao avançar sobre as vendas diretas, a plataforma busca ampliar sua atuação para além do streaming e oferecer aos músicos outra maneira de transformar a relação construída com seus ouvintes em receita.
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