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Shirley Manson alerta para retrocesso nos direitos das mulheres: “Chegamos a um ponto crítico”

Vocalista do Garbage falou sobre o cenário atual ao explicar sua participação no Daisy Chain Fields, festival criado por Olivia Rodrigo com programação exclusivamente feminina

Shirley Manson
Crédito: Aeveraal


Shirley Manson, vocalista do Garbage, afirmou que os direitos das mulheres atravessam um “momento crítico” em diferentes partes do mundo. A cantora abordou o tema ao falar sobre a participação de sua banda no Daisy Chain Fields, festival criado por Olivia Rodrigo que acontece neste sábado (29), na Califórnia.





O evento terá uma programação formada exclusivamente por artistas mulheres e destinará seus lucros a organizações ligadas aos direitos reprodutivos e à saúde, incluindo o Center for Reproductive Rights, a Planned Parenthood e o Johns Hopkins Center for Indigenous Health.


Manson contou que aceitou participar depois de receber pessoalmente um telefonema de Olivia Rodrigo.


“Eu disse a ela que era muito incomum um agente não fazer isso”, recordou a vocalista.


Do Lilith Fair ao Daisy Chain Fields


A proposta do Daisy Chain Fields tem como uma de suas principais referências o Lilith Fair, festival itinerante criado por Sarah McLachlan em 1997 para ampliar o espaço ocupado por mulheres na indústria musical.


A relação de Shirley Manson com essa história ajuda a explicar sua percepção sobre o momento atual. Nos anos 1990, o Garbage chegou a receber um convite para participar do Lilith Fair, mas recusou. Segundo Manson, naquele período ela acreditava que os avanços conquistados pelas mulheres indicavam um cenário diferente.


“Talvez eu tenha sido ingênua, mas parecia que havia mais progresso para as mulheres naquela época”, afirmou.


Quase três décadas depois, a cantora diz enxergar a situação de outra maneira.


“Estamos em 2026 e os direitos das mulheres estão retrocedendo em todo o mundo. Chegamos a um ponto crítico.”


A mudança de perspectiva levou Manson a reconhecer uma nova urgência em iniciativas que colocam artistas mulheres no centro da programação e associam música a organizações dedicadas aos direitos femininos.




Festival reúne diferentes gerações


O Daisy Chain Fields reunirá nomes de diferentes gerações e estilos da música. Além de Olivia Rodrigo e Garbage, a programação inclui Chappell Roan, Bikini Kill, Doechii, Mitski, The Breeders, Katseye, Santigold, Rachel Chinouriri, Not for Radio, Die Spitz, Quiet Light e Eli.


O festival também contará com participações especiais de Stevie Nicks, Karen O e da própria Sarah McLachlan, criando uma ligação direta com o Lilith Fair que inspirou sua concepção.


Recentemente, Shirley Manson também revisitou declarações feitas no passado sobre as Spice Girls. A cantora pediu desculpas por comentários de uma entrevista de 2016, quando classificou o grupo de maneira depreciativa. Ao reconsiderar aquelas palavras, chamou sua própria postura de “imprudente e cruel”.


Agora, ao aceitar um convite que havia recusado em um contexto semelhante nos anos 1990, Manson estabelece uma comparação entre dois momentos separados por quase três décadas — e encontra no cenário de 2026 razões diferentes para subir ao palco.



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