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Rob Hirst, o pulso que manteve o Midnight Oil em movimento

Algumas batidas não servem só para marcar o tempo. Elas sustentam ideias, atravessam décadas e continuam ecoando quando o silêncio chega

Rob Hirst, baterista e um dos pilares do Midnight Oil
Foto: Bill McCay/Getty Images

Rob Hirst, baterista e um dos pilares do Midnight Oil, morreu aos 70 anos após uma longa luta contra o câncer de pâncreas. A informação foi confirmada pela própria banda, que comunicou que o músico partiu de forma serena, cercado por pessoas próximas. A despedida veio acompanhada de uma imagem poética, fiel ao espírito do grupo: um “vislumbre de uma pequena luz no deserto”.



Mas Rob Hirst nunca foi apenas o homem atrás da bateria. Ele era o pulso. O corpo. A engrenagem que transformava urgência política em música física, quase tribal, impossível de ignorar.


Fundado em Sydney nos anos 70, o Midnight Oil sempre foi uma banda que incomodava. Letras diretas, posicionamento firme, presença de palco quase confrontacional. E, no centro de tudo isso, estava a bateria de Rob Hirst: seca, insistente, econômica e, ao mesmo tempo, feroz. Não havia virtuosismo exibicionista. Havia propósito.


Hirst ajudou a moldar a identidade sonora de uma das bandas mais politizadas da história do rock. Seu jeito de tocar não pedia atenção para si, mas empurrava cada canção para frente, como se dissesse: isso importa, escute direito. Era uma bateria que marchava junto com as ideias.


Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Além disso, Rob foi também compositor. Seu nome está creditado em músicas que se tornaram hinos globais, como Beds Are Burning, Blue Sky Mine e Read About It. Canções que falam de injustiça social, exploração, meio ambiente, povos originários. Música como ferramenta de consciência, não como trilha de fundo.


A morte de Rob Hirst não encerra apenas uma trajetória individual. Ela fecha um ciclo de resistência artística que provou que o rock pode ser incômodo, ético e profundamente humano ao mesmo tempo. Em um mundo cada vez mais anestesiado, o Midnight Oil sempre foi um lembrete de que música também pode ser ato político.



Em comunicado, os integrantes da banda resumiram a perda com uma frase simples e devastadora:


“Estamos despedaçados e de luto pela perda do nosso irmão Rob. Por enquanto não há palavras, mas sempre haverá canções”.


E talvez seja isso. Algumas pessoas não vão embora de verdade. Elas permanecem no ritmo que ainda sentimos no peito, na batida que insiste em nos acordar, na música que continua dizendo aquilo que não pode ser esquecido. Rob Hirst segue ali. Marcando o tempo.


Adeus, lenda. Descanse em paz.



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