Pond lança a melancólica “Through The Heather” e antecipa clima de novo álbum
- Marcello Almeida

- há 9 horas
- 2 min de leitura
Faixa mistura psicodelia sonhadora e introspecção enquanto banda australiana se aproxima do lançamento de Terrestrials.

A psicodelia do Pond nunca pareceu interessada em soar limpa demais. Mesmo nos momentos mais melódicos, existe sempre alguma coisa ligeiramente torta acontecendo ao fundo: um sintetizador fantasmagórico, guitarras flutuando como fumaça ou aquela sensação constante de que tudo pode desmoronar lentamente a qualquer instante.
Talvez seja exatamente isso que faça “Through The Heather” soar tão bonita. A banda australiana lançou nesta semana o novo single que antecede Terrestrials, seu 11º disco de estúdio, previsto para chegar em 19 de junho pelo selo próprio Mangovision.
E a nova faixa mergulha justamente nessa combinação entre melancolia, introspecção e psicodelia nebulosa que o grupo vem refinando há anos.
Construída sobre guitarras delicadamente cintilantes e sintetizadores etéreos, “Through The Heather” nasceu de forma quase acidental durante a turnê europeia da banda no ano passado.
Segundo o vocalista Nicholas Allbrook, a música começou a tomar forma enquanto o baterista James Ireland experimentava ideias no Ableton dentro da van da banda. E talvez a melhor parte da história seja justamente o contraste entre a atmosfera da canção e o cenário em que ela foi criada.
“Às vezes, o rock and roll é um jogo glamoroso, meu bem, mas na maioria das vezes não é”, comentou Allbrook.
O músico continuou:
“É engraçado que uma música tão bonita, melancólica e introspectiva tenha nascido cercada por pacotes de batata frita e calças de moletom em uma van cheia de porcos imundos.”
É uma imagem perfeita para definir o Pond. Porque a banda sempre pareceu encontrar transcendência justamente nas situações mais mundanas, cansadas ou caóticas.
Allbrook também revelou detalhes curiosos sobre a produção da faixa, especialmente o trabalho com reverbs de mola e experimentações sonoras feitas enquanto observavam o Oceano Índico da varanda-estúdio onde terminaram partes da música.
“Nos divertimos muito fazendo os efeitos de reverberação de mola, dando um beliscãozinho na mola para fazer ela dar um BOOM”, contou.
Depois, completou com o humor meio despretensioso que acompanha a banda desde os primeiros discos:
“Que isso sirva de lição para todos vocês, jovens roqueiros, ok? Não podemos nos inspirar demais.”
Existe algo muito interessante nessa postura do Pond. Enquanto muita psicodelia contemporânea às vezes parece excessivamente calculada ou preocupada em soar “cósmica”, eles continuam funcionando como uma banda humana, imperfeita e espontânea.
Talvez por isso músicas como “Through The Heather” consigam soar tão sinceras mesmo em meio a camadas de efeitos, distorções e atmosferas oníricas. Porque no fundo, por trás de toda viagem sonora, ainda existe gente tentando transformar confusão emocional em música.
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