Pitty abre caminho para novo álbum com a urgência de “Sobremesa”
Primeiro single de PITTY coloca as guitarras novamente no centro enquanto a cantora transforma desejo, contradição e impulso em combustível para uma nova fase

Pitty não começa “Sobremesa” tentando explicar os sete anos que separam seu próximo álbum de Matriz. Ela simplesmente entra. Guitarra na frente, bateria empurrando a música adiante e uma inquietação que aparece antes mesmo de qualquer necessidade de anunciar uma “nova era”.
Lançada nesta sexta-feira (18), “Sobremesa” é a primeira música apresentada de PITTY, novo álbum da cantora, previsto para 16 de outubro pela Deck. É também a primeira indicação concreta de para onde ela decidiu levar um disco que encerra um intervalo de sete anos sem um trabalho de inéditas.
E a escolha parece significativa. A canção não procura fazer uma reconstrução artificial da Pitty dos anos 2000, embora alguns elementos sejam imediatamente reconhecíveis. O peso das guitarras está ali. A maneira direta de escrever também. Assim como aquela capacidade de transformar uma tensão cotidiana em algo físico, quase impaciente. Mas o ponto interessante está justamente na diferença entre repetir uma fórmula e reconhecer a própria linguagem.
A canção trabalha em cima de contradições. Parar e continuar. Dizer e esquecer. Controlar e ceder. Pitty atravessa esses impulsos sem tentar resolvê-los completamente. Quando a “sobremesa” aparece como imagem central, a música já deixou claro que não está exatamente falando de comida. Está falando da vontade de pular etapas, abandonar o que é morno e ir diretamente para aquilo que provoca alguma reação.
Há desejo nisso, mas também muita inquietação. Essa urgência encontra espaço em um arranjo que não tenta esconder as guitarras. Martin Mendonça assume o instrumento, enquanto Paulo Kishimoto toca baixo e Nico fica responsável pela bateria. A faixa foi produzida por Pitty e Rafael Ramos, parceiro que acompanha sua discografia desde o início.
Ramos contou que “Sobremesa” esteve entre as primeiras composições apresentadas pela cantora durante a preparação do álbum. Ao comentar a faixa, resumiu a impressão de reencontro sem tratá-la como simples retorno ao passado:
“Parece Pitty lá no começo, mandando todas aquelas verdades. Só que é hoje e ela continua assim, afiada.”
Essa última parte importa. Porque “Sobremesa” não soa como alguém tentando recuperar o que já foi. Há referências inevitáveis a uma trajetória construída durante mais de duas décadas, mas existe também uma mulher escrevendo a partir do lugar em que está agora. O passado aparece como parte da identidade, não como destino.
O videoclipe acompanha esse movimento. Idealizado por Pitty, com direção de Jorge Daux e direção criativa de Carol Barragana, o vídeo coloca a cantora no centro da performance e funciona como a primeira extensão visual do universo que será desenvolvido no novo trabalho.
O álbum PITTY chega às plataformas em 16 de outubro. No dia seguinte, a cantora inicia a nova turnê no Espaço Unimed, em São Paulo, antes de seguir por outras cidades brasileiras. Por enquanto, temos apenas a primeira peça desse disco. E “Sobremesa” escolhe começar sem pedir licença, sem oferecer grandes explicações e, principalmente, sem baixar a temperatura.
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