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Pillow Queens - Name Your Sorrow: charme sonoro em muita autenticidade e crueza musical

De certa forma, nota-se um avanço sutil, porém, significativo, na evolução sonora da banda. Aqui, a banda entrega sua música mais madura e envolvente até o momento, mantendo-se fiel ao seu indie rock característico.

Pillow Queens
Foto: Miguel Ruiz


A Pillow Queens é uma banda de rock alternativo totalmente feminina com base em Dublin, Irlanda. Surgiram em 2016 e consistem em quatro membros principais: Pamela Connolly (baixo e vocais), Sarah Corcoran (guitarra e vocais), Cathy McGuinness (bateria e vocais) e Rachel Lyons (guitarra e vocais). Suas influências musicais são diversas, incorporando elementos do rock alternativo, indie rock e punk, com composições que muitas vezes exploram temas como identidade, relacionamentos e questões sociais.


As influências da banda abrangem uma gama diversificada de artistas que moldaram sua sonoridade. Entre essas influências estão bandas como The Cranberries, cuja mistura de melodia e letras emotivas pode ser ouvida refletida em certas nuances da música da banda. Além disso, a presença do Pixies é evidente, especialmente em termos de estrutura musical, enquanto isso, a Sleater-Kinney se faz sentir na energia crua e na entrega vocal, da mesma forma que o legado de The Breeders é visível nas composições com camadas de elementos que misturam o punk com melodias mais convidativas.



Name Your Sorrow, terceiro disco da banda, entrega uma demonstração da habilidade do grupo de encontrar um equilíbrio refinado entre familiaridade e progresso. De certa forma, nota-se um avanço sutil, porém, significativo, na evolução sonora da banda. Aqui, a banda entrega sua música mais madura e envolvente até o momento, mantendo-se fiel ao seu indie rock característico.


Name Your Sorrow é um disco que evidencia a constância e a capacidade da banda de satisfazer a demanda de um público que procura qualidade no cenário do rock independente. O grupo mantém sua autenticidade ao mesmo tempo em que explora novas abordagens musicais, o que é fundamental para quem quer manter uma relevância contínua dentro de sua história.


February 8th inicia o disco muito bem, com alguns bons sintetizadores e boas linhas de guitarra, enquanto que os vocais são compartilhados. Toda a peça estabelece brilhantemente um tom intrigante para o que está por vir com o desenvolver do álbum, demonstrando a habilidade da banda em combinar elementos sonoros de forma eficaz e envolvente. Suffer foi lançada como single ainda em 2023, com destaque para a forma com que a guitarra permeia a faixa por toda parte, desempenhando um papel central na música, conduzindo a melodia e adicionando uma dose vigorosa de energia à composição.



Like A Lesson, sendo outro single do disco, possui uma estética musical dos anos 90, porém, reimaginada com um toque contemporâneo, mostrando assim, uma prova da habilidade da banda em criar música que ressoa em diferentes públicos. Blew Up The World é uma das joias do disco, começando de forma simples com violão e voz e depois se transformando em uma composição deslumbrante com uma instrumentação exuberante, além de entregar um desenvolvimento cativante a profundo.


Friend Mine é uma peça deliciosa que mistura de forma excelente o acústico com o elétrico. A banda demonstra uma habilidade em combinar diferentes texturas sonoras de forma harmoniosa e cativante. The Bar’s Closed envolve o ouvinte em uma atmosfera onírica e nostálgica, evocando lembranças dos anos 90 de maneira graciosa e encantadora, transportando o ouvinte para uma jornada musical repleta de imaginação e emoção.


Gone possui uma harmonia que desliza de forma encantadora, além de ter um dos refrãos mais viciantes do álbum. É construída com cuidado e delicadeza, usando progressões de acordes cativantes e arranjos que fluem suavemente. So Kind é uma música que se destaca pelos vocais delicados, uma seção rítmica sutil e o uso habilidoso de guitarras levemente distorcidas. Esses elementos se combinam para criar uma atmosfera serena.


Heavy Pour entrega guitarras fuzzy que dão à música uma textura rica e um som distorcido excelente, sendo isso unido a uma bateria forte que cria uma sensação muito boa e cheia de emoção e poder. One Night com sua atmosfera sombria se destaca como uma das melhores faixas do disco. A maneira como a música cria uma atmosfera misteriosa é fascinante. Os arranjos e a produção contribuem para essa sensação sombria e ao mesmo tempo cativante.


Love II é lindíssima, com uma cadência envolvente, vocais belíssimos e um refrão que te faz querer ouvir repetidamente, a faixa é um registro emocional e de bastante sensibilidade. Notes On Worth é uma música bem arranjada, tocada e desenvolvida que encerra o disco brilhantemente, encapsulando a essência do álbum de uma maneira poderosa e reflexiva.


É interessante como algumas bandas de indie rock conseguem superar minhas expectativas, mesmo quando prefiro um estilo musical mais enriquecido musicalmente, digamos assim. A Pillow Queens é um ótimo exemplo disso. Embora pra mim, muitas vezes o indie rock puro possa ser difícil de digerir, sem os "temperos" musicais adicionais que costumo gostar, a banda consegue quebrar essa barreira de uma maneira especial.



Name Your Sorrow é daqueles discos em que sua autenticidade e crueza musical são parte do seu charme. Não há exageros ou artifícios desnecessários; apenas o talento e paixão de quatro mulheres pela música e que brilha através de suas 12 faixas. Isso cria uma conexão mais íntima entre o ouvinte e som do grupo, tornando a experiência auditiva mais genuína e significativa enquanto transmitem uma vasta gama de emoções.

 

Name Your Sorrow

Pillow Queens


Ano: 2024

Gênero: Indie Rock

Ouça: "Friend Mine", "Gone", "Love II", "Notes On Worth"

Pra quem curte: The Big Moon, Soda Blonde, CMAT


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,5

 

Ouça "Love II"



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