Patti Smith revela a música de Lou Reed que influenciou profundamente sua forma de compor
- Marcello Almeida

- há 24 minutos
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Cantora afirmou que “Pale Blue Eyes” se tornou um parâmetro para avaliar a sinceridade de suas próprias composições

Ao longo de sua carreira, Patti Smith construiu uma obra marcada pela intensidade emocional e pela recusa em seguir fórmulas do rock tradicional. Desde o lançamento de Horses, em 1975, sua música passou a representar uma alternativa ao rock de arena que dominava parte da década, aproximando poesia, arte e uma interpretação profundamente humana.
Entre as inúmeras referências que moldaram seu trabalho, uma canção ocupa um lugar especial. Trata-se de “Pale Blue Eyes”, composição do saudoso Lou Reed lançada pelo The Velvet Underground em 1969.
Ao comentar a importância da música, Patti Smith explicou que ela nunca deixou de acompanhá-la, tanto como ouvinte quanto como compositora.
“Nunca deixo de pensar nele e no seu olhar quando canto ou ouço essa música. Lou tinha o dom de pegar versos muito simples, como ‘Permaneça, seus olhos azuis pálidos’, e fazê-los se intensificar por si só. Essa música sempre me assombrou.”
Para Smith, a força da composição sempre esteve na simplicidade. Em vez de recorrer a grandes declarações, Reed construiu uma narrativa intimista que transformava pequenos versos em emoções universais.
Embora Lou Reed tenha se tornado conhecido por clássicos como “Walk on the Wild Side” e “Perfect Day”, Patti considera “Pale Blue Eyes” uma das expressões mais delicadas e vulneráveis de sua obra.
A influência do Velvet Underground sobre a artista remonta aos primeiros anos da cena underground de Nova York. Enquanto grande parte do rock da década de 70 caminhava para produções cada vez mais grandiosas, Patti Smith encontrou na banda liderada por Lou Reed um exemplo de que era possível expandir os limites do gênero por meio da experimentação e da honestidade artística.
Na época, muitos dos discos do Velvet Underground dividiram a crítica e passaram longe do sucesso comercial. Ainda assim, sua maneira de aproximar música, literatura e arte visual acabaria influenciando gerações inteiras de músicos.
Segundo Patti, essa abordagem também serviu como referência para seu próprio processo criativo. Mais do que buscar canções de apelo imediato, ela passou a medir suas composições pela capacidade de transmitir sentimentos verdadeiros.
Mesmo após alcançar sucesso com músicas como “Because the Night”, a artista afirma que nunca perdeu esse parâmetro. Se uma composição não carregasse a emoção que procurava, preferia deixá-la de lado até encontrar algo que realmente a tocasse.
Décadas depois, “Pale Blue Eyes” continua ocupando esse lugar. Não apenas como uma das grandes canções de Lou Reed, mas como uma lembrança permanente de que, para Patti Smith, a força da música sempre esteve na sinceridade com que ela consegue transformar sentimentos em arte.
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