Oliver Tree não queria deixar herança para a família e revelou plano inusitado para sua fortuna
- Marcello Almeida

- 16 de jun.
- 3 min de leitura
Entrevista concedida poucos meses antes de sua morte voltou a repercutir após o acidente que vitimou o artista no Rio de Janeiro

A morte de Oliver Tree, aos 32 anos, continua gerando repercussão muito além de sua trajetória musical. Enquanto fãs ao redor do mundo prestam homenagens ao artista, uma entrevista concedida poucos meses antes de sua morte voltou a circular nas redes sociais por causa de uma declaração surpreendente sobre seu patrimônio e seus planos para o futuro.
Conhecido por seu humor peculiar, sua personalidade provocadora e sua constante capacidade de confundir a linha entre ironia e sinceridade, o cantor revelou durante participação no Zach Sang Show, em abril deste ano, que não pretendia deixar sua fortuna para familiares caso algo acontecesse com ele.
Segundo estimativas do site Celebrity Net Worth, o patrimônio de Oliver Tree girava em torno de US$ 4 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 22 milhões na cotação atual.
Ao falar sobre o tema, o músico foi direto:
"Não acredito que nenhuma riqueza ou qualquer coisa gerada por ela seja realmente minha. Já deixei claro em meu testamento que, quando eu morrer, ninguém da minha família receberá um centavo. Nada."
A declaração chamou atenção não apenas pela contundência, mas também pela justificativa apresentada pelo artista. Segundo ele, sua intenção era direcionar os recursos para incentivar novas gerações de criadores.
"A ideia é que, quando eu morrer, todo o dinheiro volte para os artistas. Criei uma fundação chamada Bolsas de Arte para Jovens Gênios do Dr. Oliver Tree. Ela foi estruturada para que os juros gerados pela minha música sejam a principal fonte de financiamento."
Como aconteceu com muitas falas de Tree, a declaração mistura elementos aparentemente sérios com o tom irreverente que sempre caracterizou sua comunicação pública. Até o momento, não existem registros oficiais que comprovem juridicamente a existência do suposto testamento citado pelo cantor. Da mesma forma, a fundação mencionada por ele não aparece formalmente registrada em bases públicas conhecidas.
Ainda assim, a entrevista oferece um retrato interessante da maneira como o artista enxergava seu próprio legado.
Em outro momento da conversa, Tree refletiu sobre a forma como artistas costumam ser valorizados após a morte. Em uma observação que hoje soa quase premonitória, ele comentou:
"Quando eu morrer, minha arte provavelmente valerá mais do que vale agora. As pessoas finalmente vão apreciar meus vídeos idiotas e minhas músicas idiotas. É quando as pessoas passam a valorizar você, quando você não está mais aqui."
A fala continuava com uma esperança curiosa e, ao mesmo tempo, melancólica:
"Tomara que isso dure uns 100 anos e que as pessoas possam continuar fazendo doações."
Poucos artistas da última década construíram uma figura pública tão singular quanto Oliver Tree. Entre o humor absurdo, a crítica à cultura digital e uma estética deliberadamente excêntrica, ele criou uma identidade que parecia desafiar qualquer tentativa de classificação.
Por trás do corte de cabelo inconfundível, dos vídeos virais e dos personagens caricatos, existia também um músico que conseguiu conectar milhões de pessoas através de canções como "Life Goes On", "Miss You" e "Alien Boy". Misturando indie rock, hip-hop, pop alternativo e música eletrônica, Tree transformou a estranheza em linguagem artística.
Agora, enquanto fãs continuam processando a notícia de sua morte, essas declarações ganham um significado inevitavelmente diferente. Talvez porque revelem algo raro em meio ao personagem que ele criou durante toda a carreira: um vislumbre de como gostaria de ser lembrado quando a música finalmente continuasse sem ele.
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