Oasis: Don’t Look Back in Anger e tudo aquilo que 15 anos não conseguiram apagar
Dois irmãos, milhões de fãs e uma história que parecia encerrada até a música encontrar um caminho de volta

Sally can wait? Chegou o esperado dia de assistir Oasis: Don’t Look Back in Anger, documentário que acompanha uma das reuniões mais aguardadas da história recente do rock. O filme estreou mundialmente no Festival de Veneza e chegou aos cinemas nesta semana, transformando a turnê Oasis Live ’25 em registro histórico. Ou melhor, “biblical”, como diz o Liam.
Dirigido por Dylan Southern e Will Lovelace, com roteiro de Steven Knight, criador de Peaky Blinders, o documentário reúne imagens dos ensaios, bastidores e shows, além da primeira entrevista conjunta de Liam e Noel Gallagher em mais de duas décadas. Cena linda de se ver. É o reencontro de dois irmãos que passaram 15 anos afastados e de uma banda que encerrou abruptamente sua trajetória em 2009, deixando milhões de pessoas com a sensação de uma história interrompida.
Oasis foi uma das forças centrais do britpop, que se inspirou nos Beatles, aprendeu com o movimento madchester e herdou a irreverência do punk. Tudo isso ajudou a definir a cultura britânica dos anos 90. Suas canções atravessaram fronteiras, classes sociais e gerações porque falavam de desejo, juventude, pertencimento, frustração e esperança com a potência dos grandes hinos populares. Até hoje, basta começar um acorde para que uma multidão inteira (no estádio ou no cinema) saiba o que cantar. Inevitavelmente as lágrimas chegam aos olhos.
A turnê de reunião percorreu 41 apresentações pela Europa, América do Norte, Ásia, Oceania e América do Sul. Depois de mobilizar milhões de pessoas pelo mundo, terminou com dois shows lotados no MorumBIS, em São Paulo, nos dias 22 e 23 de novembro de 2025. Quem esteve lá, sabe a emoção que foi e o tamanho coletivo daquela experiência.
O filme registra o fenômeno dos estádios, mas encontra sua maior força nas histórias individuais. Pessoas que cresceram com aquelas músicas, famílias reunidas, diferentes gerações dividindo o mesmo refrão e fãs que esperaram durante anos por um reencontro que parecia impossível.
Coisa de fã? Talvez. Mas a reconciliação dos Gallagher ganha uma dimensão maior porque toca em algo profundamente humano: o tempo perdido, a possibilidade do perdão e a coragem de transformar uma relação.
É o cinema documentando o instante em que a música deixa de pertencer apenas a quem a criou e passa a existir na memória e comunhão de milhões de vidas.
Was part of the masterplan.💙
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