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O Telefone Preto 2: entre sonhos, realidade e o sobrenatural, uma sequência que não resulta tão perfeita

E mesmo que não exista tanta brecha para outras continuações, quem sabe o vilão aqui não é mais um imortal mascarado que o cinema criou como Jason Voorhees e Michael Myers?

Créditos: Universal Pictures
Créditos: Universal Pictures

Em algumas ocasiões, uma sequência nem sempre pode ser uma boa ideia. Talvez aquele filme de sucesso fosse melhor ficar sem uma continuação. Existem espectadores que gostam, outros nem tanto. Verdade seja dita, a própria indústria do entretenimento olha pela lógica do capitalismo (se foi sucesso e lucrou, quem sabe o próximo?).

 


Quando subiram os créditos finais de O Telefone Preto 2 (The Black Phone 2, 2025) pensei nessa lógica. Embora a sequência traga praticamente toda a equipe do primeiro filme, a sensação que fica é que o resultado final não é mais tão apaixonante e até o vilão aqui, mesmo que ele mexa com o psicológico dos personagens, não é tão assustador e nem merecia retornar.

 

A direção continua a cargo de Scott Derrickson, que também assina o roteiro junto com Joe Hill e C. Robert Cargill (o mesmo trio do filme de 2021). Da mesma forma, os personagens principais foram mantidos. Finney (Mason Thames), Gwen (Madeleine McGraw), Terrence (Jeremy Davies) e, claro, não poderia faltar o icônico vilão sequestrador interpretado por Ethan Hawke.

 

Finney ainda sente o passado traumático e frequentemente encontra nas brigas de escola e em seu baseado uma forma de escape. Tem muitos ciúmes de sua irmã Gwen, uma bonita adolescente que vive sendo atormentada por constantes sonhos onde ela vê crianças mortas. Lembrando que, apesar da presença de Finney, é Gwen quem rouba o filme.

 

Antes de mais nada é preciso destacar a atmosfera 80’s do filme. Um tempo onde Duran Duran estava no auge. Os cenários, vestuários, costumes e até mesmo a forma como algumas filmagens acontecem nos transportam para aquela época e para o Terror que deixou várias influências e tradições.

 

E é talvez nesse ponto que a produção cria seu maior pecado: parece que estamos vendo um filme que suga bastante a ideia de A Hora do Pesadelo (um clássico do terror 80’s). Os planos oníricos ocorrem massivamente. Os sonhos da jovem são cada vez mais constantes e perigosos. Aqui, o vilão mascarado, age tal qual um Freedy Krueger e faz do sonho da garota um cenário para seus intuitos mortais e sangrentos.

 

Créditos: Universal Pictures
Créditos: Universal Pictures

O onírico e o real se fundem e, para isso acabar, Gwen precisa sair de seu sono. É até interessante o roteiro arrumar uma explicação para o surgimento do sequestrador mascarado, apesar de conferir um aspecto ainda muito mais sobrenatural ao personagem do que foi o primeiro filme.

 

Outra função aqui é, através dos sonhos, trazer flashbacks sobretudo em relação a alguns personagens que estiveram no filme anterior. Isso acaba tentando impor uma carga dramática mais densa, de exponenciar a força humana que busca resistir e vencer o mal. Algumas cenas também trazem recordações do primeiro filme, até mesmo do porão onde Finn ficou preso.

 

A paisagem gélida de Alpine Lake (lugar onde os irmãos precisam ir) poderia render mais suspense e oferecer um ótimo cenário para uma série de sustos e de criar uma ambientação perfeita para o embate que está próximo de chegar. Exemplo é a cena com o boneco de neve que acaba nem assustando tanto e termina sem clímax. Entretanto, nota-se que aqui a preferência recai para o sombrio e o sangrento.

 

A trilha sonora tem muitas faixas criadas pelo compositor Atticus Derrickson, filho de Steve. Ele optou por canções que colaborassem com a atmosfera sobrenatural do filme e para isso contou com sons distorcidos e timbres metálicos. Também temos grandes nomes da música como Pink Floyd (‘Another Brick In The Wall (Pt. 1)’ e The 77’s (‘You Don’t Scare Me’).

 


Embora o toque repentino do telefone preto e as crianças mortas e desfiguradas que desejam ser encontradas ainda assustem, o filme perde muito tempo em criar um embate maior entre o bem e o mal. Acontece por volta do final numa passagem que merecia mais retoque e que não apresenta o brilho do primeiro filme, onde as duas forças se equilibraram melhor para um final memorável.

 

E mesmo que não exista tanta brecha para outras continuações, quem sabe o vilão aqui não é mais um imortal mascarado que o cinema criou como Jason Voorhees e Michael Myers? Personagens que custam a ser esquecidos e que sempre arrumam um jeito de voltar, não importa como e em qual época.

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