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O silêncio da Eldorado: documentário registra os últimos dias de uma das rádios mais importantes do Brasil

Produção lançada no YouTube acompanha os bastidores emocionantes do fim da Rádio Eldorado FM após quase sete décadas no ar

Rádio Eldorado FM
Imagem: Divulgação

Algumas despedidas parecem maiores do que simplesmente apertar um botão e desligar um sinal. Quando a Rádio Eldorado saiu oficialmente do ar às 23h57 da última quinta-feira (14), não terminou apenas uma transmissão em FM. Para muita gente, foi como assistir ao desaparecimento silencioso de uma certa ideia de rádio que parecia resistir ao tempo. Agora, esse momento acaba de ganhar um registro definitivo.


Lançado neste domingo (17) no YouTube, o documentário O Fim da Rádio Eldorado acompanha de maneira íntima, sensível e extremamente humana os bastidores dos últimos dias da tradicional emissora paulistana no dial. A produção foi idealizada e realizada pelo jornalista e radialista Felipe Tellis, integrante da própria equipe da rádio, que também aparece diante das câmeras ao longo do filme.





O documentário mergulha dentro da rotina dos estúdios, corredores e redações da Eldorado, mostrando não apenas a operação técnica da emissora, mas principalmente as pessoas que ajudaram a construir sua identidade ao longo das décadas.


Em vez de transformar a despedida em espetáculo, o filme parece optar pelo contrário: capturar pequenos silêncios, conversas atravessadas por emoção e a sensação estranha de quem tenta trabalhar normalmente enquanto vê uma história inteira chegando ao fim.


Entre os profissionais que aparecem no longa estão nomes conhecidos da casa, como Roberta Martinelli, Emanuel Bomfim, André Góis, Leandro Cacossi, Baba Vacaro e Mauricio Pereira.



Ao longo do filme, Felipe Tellis também assume o papel de entrevistador, conduzindo conversas que revelam diferentes visões sobre o que a Eldorado representava para quem trabalhava ali diariamente. Existe uma sensação constante de que todos entendiam que não estavam apenas perdendo um emprego ou um espaço de trabalho, mas encerrando um capítulo importante da própria cultura paulistana.


E talvez o momento mais forte do documentário aconteça justamente nos minutos finais da transmissão.


As imagens mostram a equipe reunida entre a redação e o estúdio da rádio enquanto o relógio se aproxima do encerramento definitivo da frequência. O clima é de despedida contida, quase como se ninguém soubesse exatamente qual era a maneira correta de reagir àquele instante.





Pouco antes do desligamento, Emanuel Bomfim faz um desabafo emocionado no microfone:


“Minha vontade era pedir desculpas para cada um, para cada ouvinte. Eu não queria fazer isso.”


A frase resume perfeitamente o sentimento que atravessa o documentário inteiro. Fundada em 1958, em São Paulo, a Rádio Eldorado começou sua trajetória no AM antes de se consolidar como uma das emissoras mais respeitadas do país também no FM. Durante décadas, construiu uma reputação baseada em curadoria musical cuidadosa, programação sofisticada e uma relação quase afetiva com os ouvintes, frequentemente chamados pela equipe de “os melhores ouvintes”.


Ao longo de sua história, a emissora reuniu nomes importantes da comunicação brasileira, como Jô Soares, Patrícia Palumbo, Rita Lobo e Daniel Daibem, entre muitos outros profissionais que ajudaram a transformar a rádio em referência cultural para diferentes gerações.


Nos últimos anos, a Eldorado operava na frequência 107.3 FM. Em abril, o grupo Estadão anunciou oficialmente o encerramento das atividades da emissora, justificando a decisão pelas mudanças no consumo de áudio após a pandemia e por um reposicionamento estratégico da empresa.


A notícia gerou forte reação entre ouvintes e profissionais da área, provocando uma onda de manifestações nas redes sociais. E curiosamente, poucas horas antes do encerramento definitivo das transmissões, o próprio Estadão divulgou um novo comunicado suspendendo temporariamente o fechamento e afirmando que buscava parceiros e investidores interessados em manter o projeto ativo.





Mesmo assim, o silêncio daquela última transmissão já havia deixado sua marca. Porque algumas rádios vão muito além da programação. Elas acabam se tornando parte da memória de uma cidade inteira.


Confira o documentário abaixo:



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