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O disco que salvou o Aerosmith do fim nos anos 70

Antes de “Toys in the Attic”, a banda quase perdeu o contrato e acreditava que sua carreira estava perto do colapso

Aerosmith
Imagem: Reprodução


Hoje, quando se fala em Aerosmith, é quase impossível não associar a banda ao gigantismo. Shows monumentais, excessos, sucessos de arena e uma presença quase constante no rock. Mas, no começo dos anos 70, a realidade era muito menos glamourosa.





Apesar de todo impacto causado pela ótima “Dream On”, lançada no disco de estreia de 73, o Aerosmith demorou um pouco para realmente encontrar espaço dentro da indústria da música. O primeiro disco foi aquela coisa: obteve uma recepção moderada, e o grupo logo percebeu que sobreviver no mercado seria mais complicado do que poderia parecer.


A situação ficou ainda mais delicada durante os preparativos para o segundo álbum. Steven Tyler relembrou esse período anos depois, e lembra que a gravadora chegou a cogitar encerrar o contrato da banda após a recepção abaixo do esperado do primeiro trabalho. Para um grupo que havia lutado tanto para conseguir uma chance, aquilo soava praticamente como uma sentença.


“O segundo disco, cara, é uma droga!”, resumiu Tyler ao comentar a pressão daquela fase.


Segundo o próprio vocalista, a gravadora decidiu oferecer mais uma oportunidade pra eles, mas com uma condição: trabalhar com o produtor Bob Ezrin, um dos nomes mais respeitados da época. A ideia não agradou muito a banda.


Acostumados a funcionar de maneira independente, os integrantes enxergavam com desconfiança a ideia de responder criativamente à autoridade de um produtor externo. Tyler admitiu que a sensação inicial era de perda de controle.


“Ele era um dos melhores produtores da época – e agora o conheço bem – mas estávamos sob o controle dele.”


Um detalhe nessa história, Bob acabou delegando grande parte do trabalho diário para Jack Douglas, produtor que se tornaria peça fundamental na trajetória da banda dali em diante.


“Jack Douglas foi contratado para cuidar das tarefas do dia a dia, e Bob aparecia a cada duas semanas para ouvir o que estava acontecendo.”





A banda descreveu aquele período como “um pacto com o diabo”, principalmente porque existia a sensação constante de que Get Your Wings poderia ser o último álbum da carreira deles. Mas foi justamente ali que as coisas começaram a mudar.


Lançado em 74, Get Your Wings ainda não foi o trabalho que transformou o Aerosmith em superstars, mas funcionou como uma evolução muito importante na sonoridade da banda e garantiu algo essencial: tempo.


Tempo para amadurecer. Tempo para crescer. Tempo para chegar ao disco seguinte. E foi com Toys in the Attic, lançado em 75, que finalmente tudo explodiu. O álbum transformou o Aerosmith em um dos maiores nomes do rock americano e abriu caminho para a ascensão definitiva de Steven Tyler e companhia.


O curioso é perceber como algumas das maiores bandas da história estiveram muito mais próximas do fracasso do que o público costuma imaginar. No caso do Aerosmith, bastou mais um disco ruim ou mais uma decisão errada para que toda a história terminasse antes mesmo de começar de verdade.



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