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Morre Lygia Fagundes Telles, a dama da literatura brasileira, aos 98 anos

Atualizado: 29 de ago. de 2022


Lygia Fagundes Telles, escritora- Foto: reprodução

O dia 3 de abril de 2022 está triste e de luto, principalmente, na literatura.


Faleceu aos 98 anos a escritora Lygia Fagundes Telles na cidade de São Paulo. Um dos grandes nomes femininos da literatura brasileira, fazia parte da ABL (Academia Brasileira de Letras) possui premiações como os prêmios Jabuti (conquistado em 1966, 1974 e 2001) e Camões (conquistado em 2005), voz ativa desde o final dos anos 1930 quando surgiu na literatura e um talento que é singular.


Lygia tem obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, português de Portugal, além de adaptações de suas obras para o cinema, teatro e TV.



Segundo Juarez Neto, da Academia Brasileira de Letras (ABL), ela faleceu em casa, de causas naturais.

"Já que é preciso aceitar a vida, que seja então corajosamente." (Lygia Fagundes)

Em nota, a Academia Paulista de Letras lamentou sua morte. "A mais notável personalidade da literatura brasileira, patriota e democrata, já era lenda em vida. Permanecerá no Panteão das glórias universais e, para orgulho nosso, era mais academicamente bandeirante. Não faltava aos nossos encontros semanais no Arouche. A gigantesca e exuberante obra continuará a ser revisitada, enquanto houver leitor no mundo", escreveu José Renato Nalini.


Lygia nasceu em São Paulo em 19 de abril de 1923 e passou a infância no interior do estado. Logo depois de alfabetizada, reproduzia nos cadernos escolares as histórias que ouvia. Ela escreveu seu primeiro conto, 'Vidoca', em 1938.


Na época do ensino Fundamental, ela voltou para a capital com o pai, advogado, e a mãe, pianista, e estudou na Escola Caetano de Campos, colégio tradicional da cidade. Com apenas 15 anos, publicou seu primeiro livro de contos, 'Porão e Sobrado'.

Lygia Fagundes Telles. Imagem reprodução

Em seguida, ela fez Direito e Educação Física, mas a sua grande paixão mesmo, era a literatura onde ela seguiu apaixonada e apoiada por toda a vida graças ao incentivo dos seus amigos escritores Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Érico Veríssimo (1905-1975). E era também grande amiga da escritora Clarice Lispector (1920-1977).


Publicou seu primeiro romance em 1954 o famoso 'Ciranda de Pedra', que anos mais tarde em 1981, se transformou em uma telenovela na Rede Globo de forma baseada.


Ela publicou outros livros como: 'Verão no Aquário' em 1964, 'Antes do Baile Verde' em 1970, 'As Meninas' em 1973, 'Seminário dos Ratos' em 1977 e muitos outros. Mas em todos, assim como em 'Ciranda de Pedra', que é um dos seus livros mais famosos e publicados, possuem uma linguagem muito forte em prol do feminismo com olhar na igualdade e nos direitos humanos.


Seu legado não fica apenas na igualdade. Ela escreveu em 1967 com o crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes o roteiro do filme 'Capitu' que é uma obra cinematográfica baseada no livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis, foi uma das autoras do 'Manifesto dos intelectuais' contra a censura na ditadura militar brasileira em 1977 e foi retratada de forma biográfica no filme 'Lygia, uma Escritora Brasileira' de 2017 realizado pela TV Cultura que mostra a autora bem como um nome à frente do seu tempo.


Lygia fará muita falta para a literatura brasileira, mas também, para a literatura mundial. Obrigado por tudo e descanse em paz, Lygia Fagundes Telles.

 





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