Kurt Cobain odiava esta música de In Utero e achava que ela nem deveria existir
- Marcello Almeida
- há 16 horas
- 2 min de leitura
Mesmo em um dos álbuns mais celebrados do Nirvana, havia uma faixa que o próprio vocalista considerava um erro

Quando o Nirvana entrou em estúdio para gravar In Utero, Kurt Cobain tinha uma missão muito clara: não repetir Nevermind.
O sucesso gigantesco do álbum de 91 havia transformado a banda em um fenômeno mundial praticamente da noite para o dia. Mas, para Cobain, toda aquela popularidade vinha acompanhada de um desconforto que aumentava a cada dia. Ele considerava a sonoridade de Nevermind excessivamente polida e não queria passar pelo mesmo caminho novamente.
Por isso, quando chegou a hora de gravar o sucessor, o Nirvana buscou uma direção oposta. A escolha de Steve Albini como produtor ajudou a dar ao disco uma identidade mais crua, abrasiva e desconfortável. Era exatamente o que Cobain procurava.
O resultado foi um álbum que abriga clássicos como Heart-Shaped Box, All Apologies e Rape Me. Mas nem todas as músicas agradavam ao seu principal autor. Entre elas estava Tourette's.
Com pouco mais de um minuto de duração, a faixa aparece como uma explosão caótica em meio ao álbum. Barulhenta, agressiva e quase impossível de acompanhar em uma primeira audição, ela representa uma das conexões mais diretas do Nirvana com suas raízes punk. O problema é que o próprio Cobain não tinha uma boa opinião sobre ela.
“Essa música não precisava ter sido escrita. Na verdade, ela prejudicou o álbum.” A crítica não parava aí.
“Eu podia gritar até ficar rouco a qualquer momento e enganar a mim mesmo e a todos os outros.”
Segundo o músico, a inclusão da canção aconteceu porque ele sentia que parte de In Utero estava ficando convencional demais. Em sua visão, o álbum precisava de algo mais rápido, agressivo, algo que soasse imprevisível.
“Acho que não tive tempo de escrever nada melhor.”
É uma avaliação dura para uma música que, embora raramente apareça entre as favoritas dos fãs, cumpre um papel importante dentro do disco. Enquanto muitas canções de In Utero equilibram melodia com peso, “Tourette's” soa como um curto-circuito. Não há preocupação com refrões ou estruturas tradicionais, vamos dizer assim. O que existe é uma descarga de energia meio que descontrolada, com Kurt parecendo caminhar na fronteira entre a performance e o colapso emocional.
Talvez seja justamente isso que torna a música interessante hoje. Ela pode não ter a força de “All Apologies” nem o impacto imediato de “Heart-Shaped Box”, mas ajuda a explicar o estado de espírito que dominava o Nirvana naquele período. Um grupo tentando escapar da própria fama, rejeitando fórmulas de sucesso e disposto a deixar as imperfeições expostas.
Curiosamente, a faixa que Cobain considerava dispensável acabou se tornando parte importante da identidade de In Utero. Porque, gostasse ele ou não, aquele caos também fazia parte da história que o disco estava tentando contar.
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