GWAR diz ter sido investigado após incluir Donald Trump em suas performances
- Marcello Almeida
- há 16 horas
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Vocalista da banda afirma que grupo recebeu visita do Serviço Secreto e enfrentou dificuldades após apresentações envolvendo o presidente norte-americano

Ao longo de mais de 40 anos de carreira, o GWAR construiu uma reputação baseada em apresentações teatrais repletas de humor grotesco, violência caricata e sátiras direcionadas a figuras públicas. Segundo o vocalista Mike “Blöthar The Berserker” Bishop, porém, a reação às performances da banda mudou significativamente nos últimos anos.
Durante entrevista ao programa Rocking With Jam Man, o músico afirmou que o grupo chegou a receber uma visita do Serviço Secreto dos Estados Unidos após incluir o presidente Donald Trump em uma de suas tradicionais encenações.
“Nós matamos [ficticiamente] o presidente Obama. Não tivemos problemas com o Serviço Secreto. Mas você mata o Trump [ficticiamente] e pode apostar que vai dar merda. E foi isso que aconteceu com a gente. Aconteceu não faz muito tempo.”
De acordo com Bishop, a repercussão não estaria relacionada a uma mudança de postura da banda, mas sim a transformações no ambiente político e cultural norte-americano. O vocalista argumentou que o GWAR sempre satirizou políticos, celebridades e figuras públicas de diferentes espectros ideológicos sem enfrentar consequências semelhantes.
“Durante anos, o GWAR fazia o que bem entendia. Matávamos políticos de ambos os lados do espectro político. Matávamos celebridades. Nunca sofremos represálias.”
O músico relembrou outras apresentações que geraram controvérsia no passado, mas afirmou que a reação observada durante os anos recentes foi diferente.
“As pessoas agiam como se o GWAR tivesse mudado, mas o GWAR não mudou. O mundo é que mudou pra caramba. A forma como as pessoas encaravam a política mudou. A forma como as pessoas encaravam a comédia e o humor mudou.”
Bishop também rejeitou a ideia de que as críticas tenham vindo de grupos tradicionalmente associados a debates sobre censura ou correção política.
“Não foram as feministas ou a turma do politicamente correto que vieram atrás do GWAR. Quem veio atrás do GWAR foram os fãs do Trump, porra. Foram eles que vieram atrás do GWAR.”
Além da visita relatada do Serviço Secreto, o vocalista afirmou que a banda enfrentou impactos financeiros decorrentes das controvérsias. Segundo ele, grandes empresas do setor de entretenimento podem ser influenciadas por pressões externas, afetando a realização de shows e atividades comerciais.
“O que eles fazem é dificultar que você ganhe dinheiro. E é isso que eles tentam fazer. Especialmente uma empresa como a Live Nation, uma grande promotora de shows e coisas do tipo, eles são suscetíveis a pressões do governo. E, quando você os desagrada, eles podem exercer pressão sobre você; isso é censura, porra, não importa como você chame.”
Apesar das dificuldades relatadas, o GWAR não demonstra intenção de abandonar o estilo provocativo que definiu sua trajetória. Bishop citou uma apresentação recente durante uma etapa da Warped Tour em Washington, D.C., na qual a banda voltou a incluir uma de suas marcas registradas: a destruição teatral de uma efígie de Donald Trump diante do público.
Quatro décadas após sua formação, o GWAR continua apostando na combinação de sátira, choque e crítica social que transformou o grupo em uma das atrações mais peculiares e controversas da música pesada.
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