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Giles Martin diz que não existem mais músicas inéditas dos Beatles: “Desta vez, acabou mesmo”

Mesmo depois de meio século, ainda esperamos por milagres. Mas talvez a maior herança dos Beatles seja justamente saber quando a história se encerra

Capa do disco Abbey Road, dos Beatles
Capa do disco Abbey Road, dos Beatles (Foto:Reprodução)

Responsável por zelar e atualizar o legado sonoro dos Beatles nas últimas décadas, Giles Martin afirmou que não acredita mais na existência de músicas inéditas da banda. Filho de George Martin, o lendário “quinto Beatle”, Giles disse ao jornal The Sun que, após anos mergulhando nos arquivos do grupo, tudo indica que não restou material desconhecido a ser revelado.



“Acho que não há mais nada. Sempre disse isso e depois apareceu alguma coisa… mas desta vez, não há mesmo mais nada”, afirmou o produtor (via American Songwriter).


A declaração vem de alguém que conhece como poucos cada fita, demo e fragmento deixado pelos Fab Four. Giles esteve à frente de projetos centrais da discografia recente da banda, incluindo remixagens, edições comemorativas e lançamentos históricos que apresentaram os Beatles a novas gerações sem diluir sua essência.


Em novembro de 2025, ele foi o curador de Anthology 4, álbum que trouxe 13 faixas inéditas e novas mixagens de “Free as a Bird” e “Real Love”, com a voz de John Lennon restaurada por tecnologia assistida por inteligência artificial. O lançamento ainda revelou preciosidades como uma gravação crua e inicial de “Helter Skelter” e a primeira demo de “In My Life”, clássico de Rubber Soul (1965).


Essa última, inclusive, carrega um peso emocional especial. “In My Life” era uma das canções favoritas de George Martin, e Giles chegou a ler sua letra no funeral do pai — um gesto que simboliza bem a dimensão afetiva desse trabalho de arqueologia musical.


Mesmo sem novas músicas no horizonte, Giles reforça que o impacto artístico dos Beatles permanece intocado. Em entrevista ao USA Today, ele destacou a força quase inexplicável da banda em estúdio:


“A forma como eles conseguiam transmitir uma música no estúdio era absurda. A crueza disso transcende tudo”.



Talvez não existam mais inéditas. Mas o que os Beatles deixaram continua se revelando — não em novas canções, e sim em novas escutas, novas leituras e novas gerações dispostas a apertar o play outra vez.

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