Geezer Butler usa inteligência artificial para criar demos e prepara novo álbum solo
- Marcello Almeida

- há 2 dias
- 2 min de leitura
Isso me ajudou muito, mesmo que muita gente ache que é trapaça.”

Com um novo disco solo a caminho, Geezer Butler revelou que vem experimentando caminhos pouco convencionais em seu processo criativo, incorporando a inteligência artificial como ferramenta de apoio na composição.
Desde a despedida definitiva do Black Sabbath dos palcos, em julho de 2025, o baixista de 76 anos afirma que nunca deixou de compor. A diferença agora está na forma como transforma ideias em demos: Butler passou a usar vozes geradas por IA para dar forma às letras antes de apresentá-las a cantores reais.
Durante uma sessão de perguntas e respostas no evento Steel City Con, na Pensilvânia, o músico explicou que o recurso surgiu como solução prática para um problema antigo: trabalhar sozinho em casa sem um vocalista disponível. Segundo ele, a tecnologia não substitui intérpretes humanos, mas ajuda a tornar suas intenções musicais mais claras (via portal IgorMiranda).
“Tenho um monte de material. Desde que fizemos o último show do Black Sabbath, venho revisitando tudo que compus desde os anos 1980 e atualizando. O que antes me segurava era não ter um cantor quando estou em casa, mas aí a inteligência artificial apareceu [risos]. Agora uso um cantor de IA para dar voz às letras e mostrar aos músicos com quem vou trabalhar exatamente o que imagino para o álbum.”
Butler reconhece que o uso de IA ainda causa estranhamento e até rejeição entre parte do público e de outros músicos, sendo frequentemente visto como uma forma de “trapaça”. Ainda assim, ele defende que a tecnologia, quando usada de forma consciente, apenas otimiza etapas do processo criativo.
“Antes eu mostrava só um riff e perguntava: ‘você consegue cantar por cima disso?’. Agora é diferente. Dá para ficar no estúdio, estruturar tudo com IA e depois levar o material para músicos de verdade assumirem. Isso me ajudou muito, mesmo que muita gente ache que é trapaça.”
A experiência de Geezer reflete um movimento cada vez mais presente na indústria musical, em que artistas utilizam inteligência artificial para criar demos, simular arranjos e testar linhas vocais nas fases iniciais de composição. O debate ético sobre autoria e originalidade segue aberto, mas, para muitos músicos, a IA começa a ocupar um lugar semelhante ao que sintetizadores, samplers e softwares de gravação tiveram em décadas anteriores.
Mesmo flertando com novas tecnologias, Butler segue profundamente conectado à tradição do rock e do heavy metal. Principal letrista da formação clássica do Black Sabbath, ele também teve papel fundamental na carreira solo de Ozzy Osbourne, participando de turnês e do álbum Ozzmosis (1995).















Comentários