Eu e Meu Avô Nihonjin é uma animação que aborda distintas temáticas através da imigração japonesa no Brasil
- Eduardo Salvalaio
- há 13 horas
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Eu e Meu Avô Nihonjin é daquelas animações para assistir ao lado da família, de sentir orgulho da história de nossos antepassados

As animações brasileiras cresceram de qualidade e com o tempo se mostraram muito mais fortalecidas. Cada vez mais caprichadas, trazendo mensagens necessárias ao espectador e atendendo tanto a um público infantil como adulto, são muitas as produções que podemos indicar para qualquer fã do gênero.
Muito desse progresso fica por conta de pessoas como Celia Catunda. Ela é uma diretora, escritora, produtora e foi responsável por animações belas como Peixonauta (2009), Gemini 8 (2014) e O Show de Luna (2014).
Inspirada em Nihonjin, primeiro romance escrito pelo escritor e professor universitário Oscar Nakasato, Eu e Meu Avô Nihonjin (2025) é a nova animação de Celia que faz jus a sua capacidade de trazer uma narrativa que encante gerações distintas. Importante lembrar que com esse livro, Nakasato foi o vencedor do Prêmio Jabuti em 2012.
Noboru, um garoto descendente de japoneses, precisa realizar um trabalho de escola cujo objetivo consiste em retratar a história da família. Para isso, ele tenta dialogar com seu avô Hideo atrás de informações, mesmo que a tarefa não seja tão fácil, pois seu avô não aceita falar muito do passado familiar.
Apesar de a animação aparentar mais um cunho educativo do que de entretenimento fácil, importante ressaltar aspectos que a tornam interessante e necessária: o poder da memória, a necessidade de valorizar cultura e costumes, aprender com o passado para evitar erros no futuro e ancestralidade.
Com personagens que irão de transformando ao longo da narrativa, o filme aborda diferentes temáticas. A xenofobia, a exploração da mão de obra barata, nacionalismo exagerado e a mulher sem posição ou lugar na sociedade. Isso tudo fica bem evidenciado em passagens como Hideo trabalhando de colono junto com sua esposa numa lavoura de café ou naquela em que seu filho Haru, tio de Noboru, sofre bullying de outros alunos da escola.
Entretanto, uma das partes mais contundentes é quando Hideo sofre perseguições por conta da Segunda Guerra Mundial (quando justamente imigrantes japoneses foram perseguidos no Brasil). Nakasato fez um belo trabalho de pesquisa em seu livro e com Celia não foi diferente. A animação passa por fases distintas da História que transmitem bem os eventos ocorridos sobretudo no início do Século XX.

A intenção foi fugir de um padrão extremamente Anime. Muito do que foi criado, tenta capturar a cultura brasileira. O colorido reproduz bem a nossa natureza e cultura. Os cenários, em certas ocasiões, remetem a um quadro do Impressionismo.
Interessante é como algumas cenas se interagem de forma criativa ligando presente e passado. Em certo momento, a sala da casa de Hideo se enche de água para mostrar a saída do personagem do Japão ao Brasil de navio.
A trilha sonora traz momentos com um samba no fundo dando destaque ao toque de pandeiro que dita o ritmo de algumas cenas. A música tema foi composta por André Abujamra (integrante do Karnak) e Marcio Nigro (compositor experiente que tem várias trilhas sonoras em seu currículo).
Mesmo quando o filme não aborda as histórias do avô de Noboru, a presença do garoto com seus amigos na escola confere momentos igualmente bonitos. Lembrando que aqui, a diretora dá importância a múltiplas nacionalidades e etnias (não apenas a japonesa). As crianças precisam aceitar a diversidade desde cedo.
Temos o amigo Afrodescendente que comenta sobre a escravidão sofrida por seus parentes e a garota amiga descendente de portugueses. Isso sem contar com Haru que faz amizade com uma família de italianos que vieram pro Brasil (contendo uma passagem bem divertida que valoriza a culinária italiana).
Eu e Meu Avô Nihonjin é daquelas animações para assistir ao lado da família, de sentir orgulho da história de nossos antepassados. Em sala de aula, será também apreciada e fará muitas alunos pensarem como Noburu: o passado que nossa família viveu é muito mais que um trabalho de escola a ser redigido.












