Em 'Sobre Viver' criolo soa poético, rebelde e maduro, fazendo Rap para atualidade


O músico Criolo. Edilson Dantas / Agência O Globo.

Kleber Cavalcante Gomes, mais conhecido como Criolo, é um dos grandes nomes do Rap e Hip Hop no Brasil. Desde que surgiu em 2006, trouxe muita poesia rítmica em volta de críticas sociais, a ponto de misturar nuances da MPB onde ele cantou "Não Existe Amor em SP" com Caetano Veloso no VMB de 2011 na antiga e saudosa MTV Brasil. Criolo foi homenageado por Chico Buarque, fez um belo dueto com Milton Nascimento e Amaro Freitas, teve sua música cantada por Ney Matogrosso e o músico gravou um disco de Samba chamado “Espiral de Ilusão” de 2017 onde mesclou poesia com rap criando canções fortes e bonitas, conquistando a admiração de fãs do samba, do Rap, do Hip Hop e da MPB.


Agora o artista paulista apresenta "Sobre Viver" que mostra o quanto seu lado versátil é forte, genial e espetacular na música.


“Sobre Viver” é o primeiro disco de Criolo após 5 anos de “Espiral de Ilusão”. E é também o primeiro álbum de Rap que o artista faz após 8 anos de seu último trabalho que foi o ótimo “Convoque Seu Buda” de 2014.

O trabalho é um ato de amor, rebeldia e reflexão madura que se faz necessária de ouvir colocando ele como um dos porta vozes de uma geração de rappers que reinventaram o Rap com letras bem poéticas e profundas com nomes como Emicida, Rael, Cynthia Luz, Xamã e Rashid.

Isso é percebido nas letras, ao expor injustiças sociais, racismo, desilusão e perda que trazem cor e nobreza sonora nas músicas. Aliás, é bom ressaltar que esse trabalho tem uma bonita homenagem a Cleane Gomes, irmã do músico, que faleceu em 2021 vítima da COVID-19.


Entre as músicas que se destacam temos: “Me corte na boca do céu, a morte não tem perdãoum dueto belíssimo com Milton Nascimento. “Aprendendo a sobreviver” uma música que exala o sentimento de esperança por tempos melhores. “Diário do Kaos” onde o músico demonstra sua rebeldia diante de tempos difíceis, mostrando suas críticas políticas, onde exalta questões sociais e reflexões sobre a sociedade. Criolo não mede palavras ao escancarar a realidade do povo brasileiro.


Mas, ao mesmo tempo, canta sobre positividade na faixa “Ogum Ogum” uma mensagem de paz com tolerância religiosa que conta com a participação de Mayra Andrade que é uma cantora nascida em Cuba e criada em Cabo Verde, já em “Pretos Ganhando Dinheiro Incomoda Demais” a coisa muda de tom, um lado mais rebelde e agressivo sobre assuntos pertinentes para o momento como racismo e desigualdade socioeconômica de uma forma bem adiposa.


“Moleques São Meninos, Crianças São Também” cujo título faz lembrar do espetacular livro “Capitães da Areia” do escritor brasileiro Jorge Amado com uma sonoridade extremamente potente do início ao fim e “Pequenina” uma letra profunda sobre perdas que soa impactante pelo seu contexto e pelo seu som impulsionado por arranjos de Jaques Morelenbaum e as vozes de Criolo, Liniker, Maria Vilani (mãe do artista e de Cleane) e MC Hariel.


Em aproximadamente 40 minutos, “Sobre Viver” é uma reunião musical de canções em melodias maravilhosas que mostram a jornada de amadurecimento, de vivência, de pensamento e de emoção de um músico que cada vez mais abre para o mundo seu talento musical eclético e poético dentro do Rap. O novo trabalho faz lembrar de um de seus primeiros grande sucessos musicais "Ainda Há Tempo" quando diz “...saúde e microfone é a fórmula que preciso/Porque se o rap tá comigo, eu não me sinto excluído...” para dizer que ainda bem que existe o Criolo, faz parte da história da música.

 

'Sobre Viver'

Criolo.


Lançamento: 5 de maio de 2022

Gênero: Rap, Hip Hop, MPB, Pop

Ouça: "Pretos Ganhando Dinheiro Incomoda Demais", "Ogum Ogum", “Me corte na boca do céu, a morte não tem perdão”


 

NOTA DO CRÍTICO: 9,5

 

Ouça "Sobre Viver" no Spotify:
















 

Ouça a música "Me corte na boca do céu, a morte não tem perdão” com Criolo e Milton Nascimento.


 

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