Em 1991, Chico Anysio já ironizava Bolsonaro e sua defesa da ditadura militar na Escolinha do Professor Raimundo
Cena do humorístico da TV Globo mostra diálogo entre o Professor Raimundo e Aldemar Vigário, com referência direta ao então deputado federal Jair Bolsonaro

Uma cena da Escolinha do Professor Raimundo, exibida em 1991, voltou a circular nas redes sociais ao mostrar Chico Anysio fazendo uma referência direta a Jair Bolsonaro, então deputado federal pelo Rio de Janeiro, em uma piada sobre a defesa da ditadura militar.
O trecho reúne o Professor Raimundo, interpretado por Chico Anysio, e Aldemar Vigário, personagem de Lúcio Mauro. Durante a conversa, o aluno questiona a existência de um parlamentar interessado no retorno do regime militar brasileiro.
A resposta do professor transforma o nome de Bolsonaro no centro da sátira. Aldemar pergunta:
“É verdade que tem um deputado querendo a volta da ditadura?”
Raimundo responde:
“É verdade, é o Bolsonaro.”
Surpreso, o aluno questiona:
“Como um civil pode pensar numa coisa dessas?”
O professor esclarece:
“Ele não é civil, é militar reformado.”
Aldemar encerra o diálogo:
“Ah, então é por isso!”
A sequência, curta e construída a partir da troca de perguntas e respostas, mostra como a trajetória militar e os posicionamentos de Bolsonaro já eram abordados pelo humor brasileiro no início da década de 1990.
Bolsonaro estava em seu primeiro mandato como deputado federal
Quando a cena foi exibida, Jair Bolsonaro havia acabado de ingressar na Câmara dos Deputados. De acordo com os registros oficiais da instituição, ele tomou posse em 1º de fevereiro de 1991, após exercer o mandato de vereador no Rio de Janeiro.
Eleito pelo Partido Democrata Cristão (PDC), Bolsonaro iniciava uma trajetória parlamentar que se estenderia por diferentes legislaturas. A associação entre seu nome e a defesa de um regime autoritário, presente na piada de Chico Anysio, também encontra correspondência em declarações públicas feitas pelo político naquele período.
Em julho de 1993, dois anos depois da exibição do quadro, Bolsonaro defendeu o fechamento do Congresso Nacional durante uma entrevista ao jornal norte-americano The New York Times. Na ocasião, declarou ser favorável a uma ditadura e criticou o funcionamento da democracia brasileira, conforme documentado em um levantamento histórico publicado pela Agência Lupa.
Quando o humor registrava a política brasileira
A Escolinha do Professor Raimundo estreou como programa independente na TV Globo em agosto de 1990, reunindo personagens interpretados por alguns dos nomes mais conhecidos do humor nacional.
Comandada por Chico Anysio, a atração utilizava o ambiente de uma sala de aula para construir situações cômicas envolvendo comportamento, costumes e acontecimentos da sociedade brasileira.
O diálogo entre o Professor Raimundo e Aldemar Vigário é um exemplo de como questões políticas também encontravam espaço no roteiro. Naquela cena de 1991, o humor não dependia de uma caricatura de Bolsonaro ou de sua presença na televisão. Bastava mencionar seu nome e sua condição de militar da reserva para construir a piada.
O programa permaneceu no ar até 1995 e ganhou uma nova versão em 2016, encerrada em janeiro de 2021, depois de seis temporadas. Agora, 35 anos depois da exibição original, o trecho voltou a circular nas redes sociais, recuperando uma referência política feita muito antes de Bolsonaro chegar à Presidência da República.
A cena também preserva um registro da capacidade de Chico Anysio de incorporar personagens e acontecimentos da política nacional ao humor televisivo. Em 1991, Jair Bolsonaro ainda iniciava sua trajetória na Câmara dos Deputados. Na sala de aula fictícia de Chico Anysio, seu nome já aparecia associado à discussão sobre a volta da ditadura militar.
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