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Dark Matter mostra um Pearl Jam confiante e entregando um disco cheio de dinamismo e frescor

A banda demonstra que, embora valorize suas raízes e tenha respeito por sua história, não deixa de buscar novas perspectivas em sua arte.

Pearl Jam
Foto: Reprodução/Facebook


Ao mencionar o Pearl Jam, estou evocando o ponto de partida da minha relação profunda com o mundo do rock. Remonto a um momento marcante de 1992, quando me deparei com o videoclipe de Jeremy. Aquela narrativa visual impactante, culminando em um desfecho poderoso, foi como uma revelação para mim, despertando um interesse imediato e visceral pelo grupo. Foi um momento crucial, onde minha conexão com a música e a expressão artística atingiu um novo patamar.


Nos meses seguintes, fui cativado ainda mais pela presença do Pearl Jam quando a MTV exibiu a icônica performance de Even Flow no Pinkpop. A energia, a paixão e a autenticidade da banda eram palpáveis, e eu me vi totalmente absorvido pela experiência musical. Logo depois, o Unplugged MTV me ofereceu uma perspectiva mais íntima e crua da musicalidade do grupo, consolidando ainda mais minha admiração.



Dark Matter chega como o 12º disco de estúdio da banda – o que considero pouco para uma carreira discográfica de 33 anos. Mas de qualquer forma – e o mais importante de tudo -, eles parecem querer continuar soando relevantes ao entregar um disco cheio de dinamismo, frescor e de uma sonoridade que mantém sua música envolvente durante todos os seus cerca de 48 minutos divididos em 11 canções. Apenas um adento, se você é daquelas pessoas que até hoje evocam discos como Ten ou VS para comparar com álbuns mais recentes da banda, não sei o que o que você faz ouvindo-os ainda, agora se você compreende o que é o Pearl Jam hoje em dia, certamente Dark Matter vai atingi-lo da melhor forma possível.


Scared Of Fear abre o disco entregando uma vibração clássica da banda, vocais enérgicos, guitarras cativantes e uma seção rítmica sólida, precisa e sincronizada que sustenta o ritmo da faixa muito bem. React, Respond mantém o disco dentro de uma sonoridade de alta voltagem, com refrão chiclete e uma linha instrumental maciça. A faixa captura a energia crua da banda, combinando riffs intensos e ritmos pulsantes. Wreckage é uma balada deslumbrante que se destaca no álbum por seu estilo emocional e envolvente. Por meio de sua estrutura estilística, a música parece prestar homenagem a Tom Petty, incorporando elementos de sua abordagem distinta à composição e à performance.


Dark Matter é uma das peças mais pesadas do álbum. Seção rítmica penetrante, riffs encorpados de guitarra e um solo ao melhor estilo Mick McCready, um cara que nunca foi um “guitar hero”, porém, sempre entendeu bem o que é necessário pra soar marcante dentro da banda. Won't Tell é outra balada do álbum que, embora não seja tão impactante quanto Wreckage, ainda oferece uma experiência musical de alta qualidade. A faixa se destaca por sua batida constante e envolvente, proporcionando uma base sólida. É enriquecida com o acréscimo de alguns leves toques de sintetizadores.



Upper Hand possui uma introdução bastante atmosférica de mais de um minuto e meio feita por sintetizadores e guitarra até entregar mais uma peça em ritmo lento. Os floreios de guitarra solo são belíssimos e exemplificam exatamente o que eu disse na faixa anterior. Waiting For Stevie me fez sentir uma grande “vibração grunge” encontrada em discos – da banda ou não – da primeira metade dos aos 90. Talvez a produção mais polida possa atrapalhar um pouco essa percepção, mas basta se concentrar e perceber que o grunge clássico, digamos assim, está ali.


Running é outro dos momentos mais pesados do disco. Assim que começou, foi impossível não lembrar de Rearviewmirror, clássica faixa do disco VS. Possui a melhor seção rítmica do álbum e alguns dos vocais mais raivosos. As guitarras, como sempre, soam perfeitas, tanto nos riffs quanto nos solos. Something Special, após a “violência” da faixa anterior, tudo suaviza de novo por meio de uma peça em que Vedder faz um aceno para as suas filhas. Nota-se uma boa influência na música country moderna.


Got To Give é um daqueles velhos exemplos em que o básico pode funcionar muito bem, um rock and roll direto e objetivo, apresentando uma abordagem clássica que é ao mesmo tempo empolgante e envolvente. O acréscimo de algumas linhas de piano encaixou muito bem. Setting Sun é a faixa de encerramento. Novamente, há uma boa vibração country e entrega um fechar de cortinas extremamente aconchegante para o disco.



Dark Matter apresenta um Pearl Jam confiante, com uma sonoridade totalmente própria e característica. A banda demonstra que, embora valorize suas raízes e tenha respeito por sua história, não deixa de buscar novas perspectivas em sua arte. No mais novo capítulo de sua história, a banda entrega uma verdadeira celebração da sua identidade e que tem a capacidade ressoar positivamente tanto nos fãs de longa data, quanto com novas gerações de ouvintes.

 

Dark Matter

Pearl Jam


Ano: 2024

Gênero: Rock Alternativo, Hard Rock

Ouça: "Wreckage", "Dark Matter", "Waiting for Stevie", "Something Special"

Pra quem curte: Soundgarden, Chris Cornell, Eddie Vedder





 

NOTA DO CRÍTICO: 9

 

Ouça "Wreckage"




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