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'Blondshell' conquista com refrãos simples e cativantes; Sabrina Teitelbaum expõe sentimentos e raiva em um disco confessional arrebatador

Atualizado: 5 de jan.

Esse é daqueles discos que te pega do início ao fim, um trabalho de curvas sinuosas que te fazem viajar por várias estradas da vida.

Blondshell
Crédito: Daniel Topete


Estreia afetuosa e bonita de Sabrina Teitelbaum, que adota o nome artístico de Blondshell. O disco homônimo foi lançado em abril do ano passado, recheado de canções amarguradas e adocicadas por uma melodia cativante e agridoce. O sentimento que brota e permeia durante a audição desta baita surpresa alternativa é como se você estivesse em transe em um espaço de tempo entre a melancolia do Cranberries e as façanhas viciantes do Depeche Mode.


Com guitarras nostálgicas que evocam uma era virtuosa dos anos 90 e um carisma acolhedor nos vocais angelicais, Teitelbaum lança um novo conceito de como destilar sua raiva e revolta sobre os relacionamentos abusivos que a maioria das mulheres enfrentam no decorrer da vida. Muitas camadas e elementos presentes nas nove canções também possuem uma influência de PJ Harvey, além de alguns detalhes do Hole.


Nascida em Nova York, Sabrina lançou sua primeira composição aos 24 anos. Sob o clima de Los Angeles, surgiu a faixa "Olympus", uma canção sobre vícios e relacionamentos, produzida por Yves Rothman (Kim Gordon), e foi lançada por conta própria em 2022. Após lançar outro single, como "Veronica Mars", chegou o tão aguardado primeiro disco, que também inclui as faixas mencionadas acima.



O álbum de estreia de Teitelbaum, utilizando o pseudônimo Blondshell, representa um projeto notavelmente distinto. Profundamente influenciada pelo lirismo confessional do indie-rock dos anos 90, Teitelbaum demonstra sua diversidade como artista de maneira incisiva. Embora o álbum em si apresente promessas, e aponte uma direção para os próximos projetos da cantora, fica aquela curiosidade com um misto sentimento de ansiedade pelo o que pode vir a seguir dessa mente talentosa.


"Jonier" apresenta guitarras profundas que seguem a textura climática da música, parecendo percorrer terrenos por onde Phoebe Bridgers ou até mesmo Lucy Dacus já caminharam. Sabrina sabe muito bem como usar suas inspirações e influências para criar sua música autoral. Apesar das semelhanças com as artistas mencionadas, as canções possuem uma identidade e vida própria.


"Tarmac" explora o melhor do rock alternativo onde ela transmuta seus sentimentos e desejos em um pop rock alternativo extremamente satisfatório. "Kiss City" é uma das canções do disco que melhor carrega uma atmosfera sonhadora trazendo novos ares para o trabalho que não deixa de ser compacto em sua totalidade.


'Blondeshell' ainda consegue traçar uma linha tênue entre o real e ilusório dentro de um relacionamento autodestrutivo. Em um dos versos da faixa "Sepsis", ela se questiona: "E se eu quiser deixar isso me matar?" – algo à lá Kurt Cobain. A cantora não foge dos laços de empoderamento feminino que ganhou notoriedade e atenção com o supergrupo boygenius, formado por Lucy Dacus, Phoebe Bridgers e Julien Baker, com o lindo e destemido "The Record". Os conceitos são os mesmos; no entanto, Sabrina navega mais por uma sonoridade alternativa, ao estilo de um rock nostálgico de garagem.



Esse é daqueles discos que te pega do início ao fim. Um trabalho de curvas sinuosas que te fazem viajar por várias estradas da vida, e não deixa de ser um conjunto de canções que, além de toda beleza emanada, entrega ao ouvinte momentos de reflexão sem ser maçante ou chato. Você irá fazer isso sem perceber, enquanto deixa o álbum te levar nos embalos da voz de Teitelbaum e nos timbres melódicos que estão impregnados pelas nove faixas do disco.


Conforme a própria cantora descreve, o trabalho emergiu no meio de um período particularmente doloroso e caótico em sua vida. As composições tornaram-se sua tábua de salvação, resultando, anos depois, no álbum que ela sempre aspirou criar. Mais do que simples refrãos cativantes, o destaque do disco reside em seu toque pessoal e na sinceridade implacável. O álbum representa o som de uma artista finalmente se libertando e expressando o que estava reprimido por muito tempo.



Nesse contexto, Teitelbaum proporciona uma entrada emocional e gratificante ao universo de uma compositora talentosa, que promete muito e tem ainda muito a dizer. "Dangerous", faixa que encerra o disco, é linda, sentimental, meiga e profunda, fechando de forma primorosa o álbum.

 

Blondshell

Blondshell


Ano: 2023

Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo

Ouça: "Dangerous", "Tarmac", "Veronica Mars"

Humor: Melódico, Amargo, Confessional

Pra quem curte: The boygenius, PJ Harvey, Soccer Mommy



 

NOTA DO CRÍTICO: 9,0

 

Confira a performance de "Dangerous" ao vivo:




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