Billy Corgan volta a falar sobre encontros com agentes do governo dos EUA — e vira alvo de ironia
- Marcello Almeida
- há 10 horas
- 2 min de leitura
Entre delírio, silêncio e desconfiança

O vocalista e guitarrista do The Smashing Pumpkins, Billy Corgan, reacendeu uma de suas declarações mais enigmáticas ao afirmar, mais uma vez, que já foi abordado por membros do governo dos Estados Unidos para se envolver em assuntos que, segundo ele, estavam “muito além da sua alçada”.
O tema voltou à tona durante um episódio recente do podcast The Magnificent Others, apresentado pelo próprio músico. Em conversa com o escritor e comentarista cultural Conrad Flynn, Corgan foi questionado diretamente sobre essas reuniões — e, como de costume, preferiu manter tudo envolto em mistério.
Segundo ele, as situações foram reais, desconcertantes e difíceis de contextualizar publicamente. Ainda assim, fez questão de reforçar que não pretende entrar em detalhes. Ao tentar descrever o clima desses encontros, Corgan recorreu a uma referência cinematográfica bastante específica:
“Em diferentes momentos da minha vida, pessoas ligadas ao governo dos EUA me procuraram para discutir coisas completamente fora do meu alcance. Nunca entrei em detalhes publicamente, mas houve situações em que eu estava numa sala e pensava: ‘Por que estão falando comigo?’. A sensação era algo tirado direto de um filme como De Olhos Bem Fechados.”
Provocado por Flynn a explicar o conteúdo dessas conversas, o músico recuou novamente. Ele lembrou, inclusive, de uma antiga participação no programa de Howard Stern, quando comentou ter vivido uma experiência sobrenatural, algo que, segundo ele, saiu do controle:
“Não vou contar o que foi dito. Posso dizer apenas que eu estive lá. É parecido com quando mencionei no programa do Howard Stern que encontrei um metamorfo e isso virou um circo. Passei a ser parado em aeroportos por gente pedindo para eu repetir a história.”
Corgan seguiu afirmando que já viveu experiências que considera sobrenaturais e que, em mais de uma ocasião, agentes do governo teriam tentado se aproximar por conta de sua visibilidade pública, algo que ele próprio relativiza:
“Tudo o que posso dizer é que já vivi coisas fora do comum e já vi agentes do governo americano se aproximarem porque, de algum modo, acham que podem usar a minha influência — que nem é tudo isso — para o que quer que estejam planejando.”
O músico ainda foi além, sugerindo que esse tipo de abordagem não seria exclusivo dele. Para Corgan, há algo de estrutural na indústria do entretenimento:
“Sentado aqui, falando abertamente, me parece muito óbvio que existem áreas da música pop onde pessoas foram conscientemente comprometidas. Como se tivessem recebido uma oferta do tipo pacto fáustico: ‘Escolha a porta número um e nós te levamos até a lua’.”
Como era de se esperar, as declarações dividiram opiniões, e, em muitos casos, viraram motivo de deboche nas redes sociais. Nos comentários, não faltou ironia. Um usuário escreveu:
“Esse cara é, sem dúvida, a pessoa mais humilde e confiável do planeta.”
Outro seguiu na mesma linha, cutucando o formato das entrevistas do músico:
“Eu adoro todas as pessoas que ele permite entrevistá-lo.”
Entre o fascínio e a desconfiança, Billy Corgan segue alimentando uma aura que mistura paranoia, simbolismo, crítica à indústria e silêncio estratégico. Para alguns, é provocação. Para outros, delírio. Para ele, aparentemente, apenas parte de uma história que não será totalmente contada.











