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Apesar do brilho de Ana de Armas, "Blonde" apresenta um filme cheio de nudez e sofrimento

"Blonde" é pesado e difícil de assistir, pois oscila entre abordar a exploração do corpo de Monroe e contribuir para que ela aconteça

Crédito: Netflix


A atriz Marilyn Monroe é uma das maiores estrelas da história de Hollywood na sua Era de ouro. Ela viveu intensamente na sua vida profissional atuando em filmes clássicos e excelentes como “O Pecado Mora ao Lado”, "Os Homens Preferem as Loiras” e “Quanto Mais Quente Melhor”.


Entretanto, essa intensidade se tornou muito mais pesada em sua vida pessoal, onde preferia ser chamada de Norma Jeane, teve casamentos conturbados, sofreu abusos pesados e traumas muito fortes que fizeram ela falecer repentinamente aos 36 anos, em 4 de agosto de 1962.

 


 

Monroe já foi muito retratada em obras cinematográficas, mas nenhuma conseguiu expressar sua essência, e o mesmo acontece com o novo "Blonde" que chegou na Netflix essa semana. Um filme que promete mostrar a vida da jovem artista sem passar pano para os acontecimentos pesados.


“Blonde” é baseado no homônimo livro escrito pela escritora estadunidense Joyce Carol Oates que mostra em partes aspectos e fatos biográficos e, por outro lado, histórias ficcionais que giraram em torno de Marilyn tanto no âmbito profissional como no pessoal. O filme segue exatamente a mesma linha trazendo um retrato fictício da década de 1950 e do início dos anos 1960, caracterizando todos os holofotes e sexualização da época.


A obra cinematográfica tem 2 horas e 46 minutos de duração, e é dirigida por Andrew Dominik e conta com a espetacular atriz Ana de Armas na pele de Marilyn Monroe e Norma Jeane Mortenson com exceção na infância que foi interpretada por Lily Fisher.


"Blonde" é pesado e difícil de assistir, pois oscila entre abordar a exploração do corpo de Monroe e contribuir para que ela aconteça, o que segura é a performance luminosa de Ana de Armas, exemplar!
 


 

O filme é polêmico e impacta das mais diversas maneiras possíveis tanto para o bem quanto para o mal. Para o bem pode-se destacar a atuação de Ana de Armas que está simplesmente sensacional, é possível sentir sua entrega e seu talento com muita dignidade ao encarnar as angústias e anseios de Norma Jeane, como também consegue explicitar as alegrias de Marilyn Monroe. A fotografia é belíssima, um ponto positivo do filme, tornou a produção bem mais atrativa visualmente unindo partes coloridas e partes em preto e branco, e nas pequenas nuanças em cenas mais profundas como lidação da fama, os abortos que sofreu e até reflexão sobre o poder.


Já para o mal podemos criticar o excesso de cenas sexualizadas que por mais que Marilyn tenha sido considerada uma “Sex Symbol” por ter sido uma atriz extremamente bonita, houve aqui uma exploração exagerada do corpo de Ana que leva a certos constrangimentos, um excesso desnecessário e desrespeitoso com a imagem de Monroe, o filme simplesmente a coloca como um objeto e chega a ser indigesto em muitos momentos.


A maneira como foi retratado o trisal que ela teve com Charles Chaplin Jr. (filho do lendário artista Charlie Chaplin) e Edward G. Robinson Jr. (filho do ator romeno Edward G. Robinson) foi algo totalmente problemático, ao invés de quebrar preconceitos destacando as coisas boas, Dominik aderiu a infeliz ideia de apresentar um relacionamento bem bagunçado do início ao fim, os seus casamentos conturbados poderiam ter sido explorados de um outro ângulo e perspectiva. Exemplo das relações com o ex-jogador de beisebol Joe DiMaggio (que é interpretado por Bobby Cannavale) ou com o escritor Arthur Miller (interpretado por Adrien Brody). Portanto, a linha traçada para a narrativa de Andrew Dominik é totalmente insultante, pesada e violenta com o legado de Marilyn.


Marilyn Monroe personifica o retrato de uma mulher do meio cultural que se tornou celebridade muito cedo e sofreu muito em vida, porém, mesmo com todo esse sofrimento, ela sempre priorizou mostrar mais da sua inteligência do que seu corpo, por mais que indústria cinematográfica dissesse um “não” naquela época, não justifica mais uma obra focada na exploração, por mais que Ana de Armas esteja fantástica em 'Blonde' tentando trazer leveza e serenidade a Monroe, não é o suficiente, para ser honesto nem mesmo a própria Marilyn daria conta de algo indigesto assim.

 


 

A fotografia encanta, é um grande acerto da obra, de fato, mas "Blonde" teria um outro visual e desfecho se Andrew Dominik não tivesse focado quase que 100% em sofrimento e sexo. Por mais que a pessoa tenha tido muitos sofrimentos é preciso exaltar suas alegrias mesmo que pequenas como acontece no maravilhoso “Piaf – Um Hino Ao Amor” (cinebiografia da fabulosa cantora francesa Édith Piaf). O que encontramos em "Blonde" é um exagero exploratório e constrangedor, enquanto o lado alegre e intelectual de Monroe é bem ínfimo.

 

Blonde (2022)

Netflix


Gênero: Drama Biográfico

Lançamento: 28 de setembro de 2022

Elenco: Ana de Armas, Adrien Brody, Bobby Cannavale, Julianne Nicholson

Direção: Andrew Dominik


 

NOTA DO CINÉFILO: 5,0

 

Veja o trailer do filme "Blonde":


 

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