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A música do Velvet Underground que mudou a forma como David Bowie enxergava o rock

Antes de reinventar a própria carreira diversas vezes, David Bowie encontrou em uma faixa do Velvet Underground a inspiração para romper com os limites do rock de sua época

David Bowie
Imagem: Reprodução


David Bowie construiu uma carreira marcada pela inquietação. Desde os primeiros anos, recusou a ideia de repetir fórmulas ou permanecer preso a um único estilo. Ao longo das décadas, passou por diferentes fases, criou personagens, absorveu influências diversas e transformou cada mudança em parte de sua identidade artística.





Essa disposição para experimentar também fez com que sua trajetória seguisse caminhos pouco previsíveis. Depois de criar o universo de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, por exemplo, Bowie surpreendeu parte do público ao formar o Tin Machine, mostrando que sua curiosidade artística falava mais alto do que qualquer expectativa comercial.


Boa parte dessa postura nasceu da admiração pelos músicos que desafiaram os padrões do rock antes dele. Chuck Berry e Little Richard ajudaram a definir a linguagem do gênero, enquanto Bob Dylan expandiu seus horizontes ao aproximar o rock da poesia. Bowie também acompanhava artistas que ocupavam espaços menos convencionais da cena americana, entre eles Iggy Pop e os Stooges.


Foi, porém, o Velvet Underground que lhe causou o maior impacto. Liderada por Lou Reed, a banda transformava histórias do cotidiano urbano em canções que pareciam desafiar tudo o que o rock representava até então. Para Bowie, aquele era um caminho completamente novo.


Ao recordar o primeiro contato com o grupo, o músico explicou na época que a descoberta aconteceu quando seu empresário levou uma cópia do álbum de estreia da banda.


"'I'm Waiting for the Man' é provavelmente a música mais importante. Nosso empresário trouxe um álbum. Era como uma demo de plástico do primeiro álbum do Velvet Underground, e Andy Warhol tinha assinado o adesivo. Ele disse: 'Bem, essa música é tão ruim quanto as pinturas dele.' E eu pensei: 'Hum, vou gostar disso.' Foi uma revelação para mim."





O impacto daquela audição ganha ainda mais força quando se observa o contexto da segunda metade dos anos 60. Naquele período, boa parte das paradas era dominada pelos sucessos da Motown e pelo rock de apelo pop. Diante desse cenário, faixas como "Heroin", "Venus in Furs" e a própria "I'm Waiting for the Man" soavam provocativas e desafiadoras para muitos ouvintes.


Embora o Velvet Underground estivesse longe de alcançar o sucesso comercial de outros grupos da época, Bowie continuou acompanhando o trabalho da banda. A admiração por Lou Reed permaneceu ao longo dos anos e acabou se transformando em uma parceria quando Reed iniciou sua carreira solo. Em 1972, Bowie produziu Transformer, álbum que ajudou a consolidar uma nova fase do cantor e compositor americano.


As marcas dessa influência também podem ser percebidas na própria obra de Bowie. Canções como "Hang On to Yourself" carregam a energia urgente, o ritmo acelerado e a tensão que fizeram do Velvet Underground uma referência para artistas que buscavam ampliar os limites do rock.


Antes de se tornar um dos músicos mais influentes de sua geração, Bowie encontrou em Lou Reed e sua banda a confirmação de que era possível seguir um caminho próprio, mesmo que ele parecesse estranho para quase todo o resto do mundo.



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