A música do Led Zeppelin que John Bonham simplesmente não suportava
- Marcello Almeida
- há 18 horas
- 2 min de leitura
“D’yer Mak’er” virou um dos momentos mais controversos da banda, dentro e fora do estúdio

Poucas bandas construíram um catálogo tão sólido quanto o Led Zeppelin. Ao longo dos anos, eles navegaram entre o peso bruto de “Whole Lotta Love”, a delicadeza folk de “Gallows Pole” e a urgência de “Immigrant Song” com uma naturalidade que parecia impossível. Mas, no meio dessa consistência quase absoluta, existem alguns pontos de atrito, e um deles incomodava profundamente John Bonham.
A faixa em questão é “D'yer Mak'er”, do álbum Houses of the Holy. Uma tentativa da banda de dialogar com o reggae, mas sem nunca mergulhar de fato no gênero. O título já entrega o tom meio irônico, um trocadilho com “Jamaica”, e a música parece nascer mais de uma ideia de estúdio do que de uma conexão real com aquela sonoridade.
E é justamente aí que entra o problema. O Zeppelin sempre foi ousado. Sempre testou limites, misturou referências, arriscou. Na maioria das vezes, isso elevava a banda. Mas aqui, algo não encaixava. O reggae exige espaço, respiração, uma cadência que vai contra o estilo pesado e impulsivo de Bonham. E ele sentia isso.
Segundo John Paul Jones, Bonham nunca se conectou com a faixa. Não era só desinteresse, era rejeição. Ele achava o estilo monótono, limitado, distante do que fazia sentido para ele como baterista. Em vez de explorar a música, acabou preso a uma batida repetitiva, sem variação, quase no automático.
Isso afetou tudo. Porque o Led Zeppelin sempre funcionou como um organismo coletivo. Quando um engrenagem não girava direito, o impacto era imediato. E, nesse caso, nem os outros membros parecem ter encontrado uma forma de compensar. A música soa como uma visita, não como pertencimento.
Nem o público abraçou totalmente. “D’yer Mak’er” sempre dividiu opiniões, carregando essa sensação de experimento que não chegou a se resolver.
Curiosamente, Jimmy Page tinha outra leitura. Para ele, a faixa era uma mistura intencional de reggae com elementos do pop dos anos 50, algo que, na cabeça dele, fazia sentido. O problema é que nem sempre a intenção sobrevive à execução.
Ainda assim, a música diz muito sobre aquele momento da banda. Em 1973, com Houses of the Holy, o Zeppelin estava inquieto. Não queria repetir fórmula. Preferia arriscar, mesmo que isso significasse errar de vez em quando. E talvez “D’yer Mak’er” seja exatamente isso: um erro honesto de uma banda que nunca teve medo de tentar.
Porque até os gigantes tropeçam, e, às vezes, é isso que os mantém vivos.
Descubra por que John Bonham odiava a música D’yer Mak’er do Led Zeppelin e como ela se tornou um dos momentos mais controversos da banda.
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