‘A Filha Perdida’ resgata a essência da mulher e narra as aflições da maternidade precoce.

Atualizado: 3 de fev.



Sobre ‘A Filha Perdida’ filme disponível no catálogo da Netflix, se torna praticamente impossível começar a falar dessa obra cinematográfica sem voltar todas as atenções para Olivia Colman que vive a personagem Leda. Uma atuação magistral, convincente e capaz de nos transportar verdadeiramente para os fragmentos do caos da vida. Amores, dores, arrependimentos e todos aqueles sentimentos que nos rodeiam diariamente. O olhar sensível e a habilidade da atriz e diretora Maggie Gyllenhaal (estreia dela como diretora) em extrair o melhor do livro de Elena Ferrante, The Lost Daughter, faz dessa narrativa algo extremamente envolvente sobre a vida de mulheres que são “atropeladas” pelos fatos e decisões tomadas na vida, sendo obrigadas a viver no limite; o filme parece jogar um certo ar fresco ou até mesmo um afago diante dessas situações.


Leda (Olivia Colman) é uma mulher que carrega suas cicatrizes da vida no olhar expressivo e marcante, sozinha de férias à beira-mar, ela passa a observar diariamente Nina (Dakota Johnson) uma jovem mãe e sua filha, diante disso, sentimentos enraizados nas memórias de Leda começam a vir átona, sobrecarregada por suas próprias memórias da confusão e intensidade da maternidade precoce, ela se vê envolvida em atos impulsivos onde é forçada a enfrentar as escolhas que fez quando ainda era uma jovem mãe e carregar as consequências de seus atos.


Uma estreia totalmente surpreendente da roteirista e diretora Gyllenhaal. A Filha Perdida, une um elenco brilhante a dispor de uma história ousadamente ambiciosa, um drama psicológico que lida com a maternidade, depressão e escolhas de vida, Maggie demonstra de maneira honesta ter absorvido por completo os manifestos por trás das obras de Ferrante, cuja suas narrativas e romances exploram as emoções da vida de mulheres comuns. A presença vibrante de Olivia Colman, pode ter sido um tiro certeiro da diretora na escolha do elenco, Olivia consegue transmitir e passar todo o poder da sutiliza para sua personagem Leda. Seu envolvimento com a família barulhenta de Nina, a leva de volta para as lembranças do seu passado perturbador de mãe e filhas.



Colman faz de cenas simples como sentar na praia ou dirigir um carro parecer atormentador, já que sua expressão facial captura silenciosamente a inquietação emocional que ela tanto tenta conter. Gyllenhaal pode simplesmente usar a imagem de uma cesta de frutas podres e transformar em uma cena inesperada e surpreendente.

A narrativa é repleta de reviravoltas, pode parecer lenta, muito lenta, mas é algo que funciona muito bem no filme, essa, vagareza ajuda você mentalizar as nuances da história e a compreender os tormentos de uma alma castigada por atitudes irracionais de quando se é jovem. Você precisa prestar atenção nos detalhes, a alma de A Filha Perdida está nas pequenas trocas e tensões entre as personagens. A narrativa carrega seus momentos de suspense, tensões, mas ganha realmente vida nas complicações expressas em olhares, silêncios e ora em palavras.


Os flashbacks, servem como uma conexão para nos ajudar a compreender como Leda se tornou quem ela é. Nesse sentido Gyllenhaal, age como Elena Ferrante, e levanta questões relevantes e desconfortáveis, como: até que ponto uma mulher pode desafiar as expectativas de uma sociedade e seu papel materno no intuito de salvar sua própria sanidade?


Outro destaque do filme vai para fotografia minimalista e exuberante de Hélène Louvart, ela consegue capturar a beleza natural de um sol brilhante e as ruas noturnas cintilantes, e nos levar para momentos ternos de pura liberdade ao som de “Livin’ On a Prayer”, do Bon Jovi.


O atrativo do filme é que você não precisa ser um conhecedor ou ter lido os livros de Elena Ferrante para se envolver no contexto desse belo e sensível filme. É muito fácil apreciar o mundo colorido criado diante da sua tela de TV. Um filme feito por uma mulher para todas as mulheres. Honesto, bonito, comovente e acima de tudo lindamente realizado.

 

Ficha Técnica:

A Filha Perdida

Ano: 2021

País: EUA/Grécia

Duração: 121 min

Direção: Maggie Gyllenhaal

Roteiro: Maggie Gyllenhaal

Elenco: Peter Sarsgaard, Olivia Colman, Oliver Jackson-Cohen, Dakota Johnson, Jessie Buckley, Ed Harris

Onde ver: Netflix

Nota: 8,5

 

Assista ao trailer do filme abaixo:


 

Sobre Marcello Almeida

É editor e criador do Teoria Cultural.

Pai da Gabriela, Técnico em Radiologia, flamenguista, amante de filmes de terror. Adora bandas como: Radiohead, Teenage Fanclub e Jesus And Mary Chain. Nas horas vagas, gosta de divagar histórias sobre: música, cinema e literatura, e curtir as aventuras do cão Dylan. marce.almeidasilvaa@gmail.com

 





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