Os Mutantes ressurgem em vídeo raro tocando “A Day in the Life”, dos Beatles
- Marcello Almeida
- há 22 horas
- 2 min de leitura
Quando o passado resolve falar mais alto, a cultura agradece

Registro de 1969 mostra a banda em plena forma, reinterpretando um dos maiores clássicos do século 20.
O início de ano trouxe um presente especial para quem acompanha a história da música brasileira com atenção e carinho. Um vídeo até então inédito de Os Mutantes voltou à superfície e rapidamente chamou a atenção dos fãs: a banda interpretando “A Day in the Life”, clássico dos Beatles.
A gravação, compartilhada por um internauta no YouTube, resgata uma apresentação feita em 1969, durante a participação do grupo no programa Jovem Urgente, da TV Cultura. Trata-se de um documento histórico raro, capturado justamente no auge criativo da banda.
“A Day in the Life” foi lançada originalmente em 1967 como faixa de encerramento de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, álbum que redefiniu os limites do rock. A canção funciona como uma espécie de colagem existencial dos Beatles, misturando observação cotidiana, memória, crítica social e experimentação sonora — elementos que dialogam diretamente com a estética d’Os Mutantes.
No vídeo, o grupo aparece em sua formação mais emblemática: Rita Lee nos vocais e na flauta, Arnaldo Baptista nos vocais e teclados, Sérgio Dias na guitarra e vocais, Liminha no baixo e Dinho Leme na bateria.
Mais do que uma simples cover, a performance revela como Os Mutantes absorviam referências estrangeiras sem jamais soar como cópia. A leitura da música passa pelo filtro tropicalista, pela irreverência brasileira e por uma liberdade criativa que colocava a banda em sintonia com o que havia de mais avançado no rock mundial naquele momento.
Os Beatles sempre foram uma influência declarada d’Os Mutantes, mas o caminho trilhado pelo grupo paulista foi único: uma fusão ousada entre rock psicodélico, Tropicália e sonoridades brasileiras que ajudou a reposicionar a música nacional no mapa global.
Esse registro não é apenas uma curiosidade de arquivo. É memória viva. Um lembrete de quando o Brasil dialogava de igual para igual com o centro da cultura pop mundial, e fazia isso com identidade própria.











