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Morrissey resgata “Paint A Vulgar Picture” após quase 30 anos e surpreende fãs na abertura da turnê 2026

Algumas músicas voltam quando o tempo finalmente faz sentido

Morrissey
Foto: Jim Dyson/Getty Images

Um acerto de contas tardio com a própria história, e com a indústria.


Morrissey abriu sua turnê solo de 2026 com um gesto que poucos esperavam. No último sábado (10), em San Antonio, no Texas, o cantor colocou no setlist “Paint A Vulgar Picture”, dos The Smiths, tocada ao vivo pela primeira vez em quase três décadas.



A canção integra Strangeways, Here We Come (1987), último disco de estúdio da banda, e sempre ocupou um lugar peculiar na obra de Morrissey. Trata-se de uma das letras mais ácidas que ele já escreveu, mirando sem rodeios a engrenagem da indústria musical, a exploração comercial da memória artística e os parasitas que orbitam uma “estrela morta”.


Até então, a faixa não era executada ao vivo desde 1997. O retorno inesperado transformou o momento em um dos pontos altos e mais comentados do show, especialmente por surgir logo no início da apresentação, quase como um manifesto.


O concerto também marcou a estreia ao vivo de “Make-Up Is A Lie”, faixa-título do novo álbum solo de Morrissey, com lançamento previsto para 5 de março. A música aponta para uma fase mais direta e reflexiva do cantor, dialogando, curiosamente, com o mesmo desencanto que atravessa “Paint A Vulgar Picture”.



O resgate do clássico dos Smiths acontece em um momento simbólico. Após anos de disputas, discos engavetados e ruídos com gravadoras, Morrissey finalmente firmou contrato com a Sire Records, abrindo caminho para que trabalhos represados vejam a luz do dia e reposicionando sua carreira solo em um novo capítulo.


Três décadas depois, a música volta não como nostalgia, mas como comentário atual. O mundo mudou, a indústria mudou, e, ainda assim, aquela velha letra continua soando desconfortavelmente precisa.



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