Kleber Mendonça Filho comenta reação da extrema direita a O Agente Secreto e diz ter sido surpreendido
- Marcello Almeida
- há 22 horas
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“Estamos em um momento muito melhor agora no Brasil"

Durante uma coletiva de imprensa realizada em Londres nesta terça-feira (13), o cineasta Kleber Mendonça Filho falou abertamente sobre a recepção de O Agente Secreto e revelou surpresa com a reação de setores da extrema direita brasileira ao longa, que aborda de forma crítica o período da Ditadura Militar.
Segundo o diretor, o simples fato de esse público ter ido aos cinemas e passado a comentar o filme já foi algo inesperado. Em suas próprias palavras:
“A extrema direita está escrevendo sobre o filme, o que me surpreende. Quer dizer, estou surpreso que eles tenham ido assistir ao filme. É visível que ele que está recebendo muita atenção.”
Mendonça aproveitou a conversa para refletir sobre o cenário político atual do país, que, segundo ele, é mais favorável à circulação e ao debate de obras críticas. O cineasta citou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro como um elemento central dessa mudança:
“Estamos em um momento muito melhor agora no Brasil. O ex-presidente está preso e todo o seu círculo íntimo também. A extrema direita não têm um líder agora. Entendo que estamos de volta ao mundo democrático.”
Além do debate político, Kleber Mendonça Filho destacou o desempenho comercial do longa, classificando-o como um êxito além do esperado:
“Está havendo muita discussão sobre ele. Existe um profundo sentimento de orgulho pelo filme. É uma obra que fala muito sobre o Brasil e sobre a história brasileira. E acho que os brasileiros estão muito conscientes de como o Brasil é projetado internacionalmente.”
Ambientado em Recife, em 1977, O Agente Secreto acompanha Marcelo, personagem vivido por Wagner Moura, um especialista em tecnologia que retorna à capital pernambucana após anos fora, em busca de tranquilidade, mas acaba se deparando com um ambiente marcado por vigilância, repressão e tensões políticas.
O filme traça um retrato da sociedade brasileira nos anos 1970, abordando temas como restrição de direitos, autoritarismo e o uso da tecnologia como instrumento de controle. O elenco conta ainda com Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Carlos Francisco, Alice Carvalho, Roberto Diogenes, Hermila Guedes e Udo Kier.
Kleber Mendonça Filho assina a direção e o roteiro da obra, que segue ampliando seu alcance e provocando debates dentro e fora do Brasil.











