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Crítica: 'Lightyear' não vai "ao infinito e além", mas impressiona com belos efeitos visuais

A Pixar precisa desligar o piloto automático e voltar a produzir histórias mais profundas

Crédito: Pixar

Com poucos minutos de filme, a primeira coisa que vem na cabeça é a emblemática frase de Buzz, “ao infinito e além”, toda vez que ele dizia isso em Toy Story, era motivo de vibração e aventura a caminho. A frase se tornou um símbolo, uma marca registrada de um personagem carismático e adorado. Ao lado do seu companheiro Woody, juntos configuraram e passaram por momentos vibrantes e contagiosos que exaltam o simbolismo da verdadeira amizade.


Porém, em seu filme solo, ‘Lightyear’, Buzz não consegue dar o salto estelar que tanto queremos ver novamente. Ele não parece estar à vontade e livre para voar, a impressão que fica, é que Buzz está limitado por um processo corporativo que a todo momento entra em conflito com o processo criativo que envolve o personagem, a equipe e o estúdio Pixar (subsidiária da Disney). Por mais que você não queira enxergar as coisas por esse ângulo, a Pixar parece ter ligado seu piloto automático, ou simplesmente não estão conseguindo trabalhar todo o seu potencial de filmes como ‘Divertidamente’ de 2015, Soul de 2020 e Luca de 2021.


A narrativa de Lightyear do diretor Angus MacLane se escora e acomoda no convencional através de colagens de outros filmes, e descarta de vez a possibilidade de alcançar as estrelas nessa aventura animada, visualmente deslumbrante que cumpre sua missão de entreter e contagiar seu público mais adulto com o sentimento nostálgico de ver um personagem tão querido em cena, mas que nem lembra tanto assim ele. Calma que vou explicar. Estamos diante do filme que o garoto Andy assistiu lá em 1995, e se tornou seu filme animado preferido, o restante da história você já conhece com Toy Story. Entretanto, o Buzz de hoje, é totalmente diferente, seja em suas características mais modernas ou em sua personalidade distinta daquela que nós já estamos acostumados a ver.


A começar pela voz que deixa Tim Allen de lado para dar lugar a Chris Evans (nosso capitão América), e dublada em português pelo apresentador Marcos Mion. A nova roupagem de Lightyear e sua nova personalidade acaba por afastar aquele sentimento afetivo e familiar com o Buzz que conhecemos. Apesar de toda tecnologia existente hoje, algo que não existia em 95, a Disney e a Pixar poderiam ter brincado um pouco com essa coisa do espaço-tempo e ter mantido alguns elementos clássicos, afinal de contas, estamos falando do filme que Andy assistiu, e essa nova ambientação deixa algo desconexo e perdido em Lightyear.

Portanto, a animação não deixa de ser uma aventura animada, divertida e visualmente deslumbrante, os efeitos gráficos e visuais podem ser considerados um dos melhores da Pixar até aqui.

O que torna o filme bonito de ser ver, as cenas de ações e lutas foram muito bem construídas, agradam e vão conquistar a criançada. O que peca mesmo é Lightyear são os pontos já mencionados, a falha do roteiro e a nítida preguiça da Pixar de se desenvolver por completo. Em várias tomadas temos aquela colagem de filmes como Star Wars, Star Trek e outros mais. Homenagens e referências são validas, entretanto, uma produção como Lightyear não merece perder sua autenticidade e identidade ao fazê-las.


A premissa de Lightyear acompanha Buzz, o lendário patrulheiro do espaço em uma aventura intergaláctica ao lado de sua equipe Izzy, Mo, Darby e seu companheiro robô, Sox. Conforme a missão vai evoluindo e os desafios vão aumentando, eles precisam compreender um ao outro e trabalharem juntos para vencer o terrível e malvado Zurg e seu exército de robôs.


O que a Pixar tenta desenvolver aqui, é uma história sobre envelhecimento e mortalidade, mas que carece daquele toque profundo, aquela carga emocional já conhecida das produções do estúdio, a única carga emocional apresentada em Lightyear fica por conta da nostalgia de reencontrar o Buzz novamente. Um elemento solitário que não consegue preencher todas as expectativas que criamos por se tratar de um filme derivado do universo de Toy Story.


É necessário também elencar nesta analise que o gato robô, Sox, é um dos destaques deste filme. Suas características e personalidade é a identidade legitima da Pixar. Ele garante ótimas cenas divertidas e a interação com Buzz é bem envolvente. Fica aquela pergunta no ar, por que não trabalhar todo o contexto do filme com os mesmos elementos e cuidados que teve o gato Sox?


Levando a contextualização de Lightyear para outro lado, a produção abre novos horizontes para Pixar, de inclusão e representatividade ao trazer personagens LGBTQ, enquanto oferece um filme de aventuras e ficção científica mediano. Talvez o caminho com Lightyear seja abandonar a ideia de que ele não é um filme de Toy Story, e sim, as aventuras solo do patrulheiro do espaço Buzz Lightyear, por mais que seja difícil desassociá-lo das quatro belas sequências ao lado de Woody e cia; esse pode ser um caminho que funcione melhor com a animação, e dentro de suas possibilidades, limitações e falhas ele pode até ser agradável e cativante. O problema disso tudo é que sempre queremos ver aquele personagem que tanto nos deu alegria e emoções, ele está em nossas memórias cristalizado no infinito e além.


Entretanto, Lightyear tem sua parcela de divertimento, ação, aventura que as crianças vão amar e os adultos que acompanham ficarão entretidos o suficiente para não saltarem de suas poltronas.

 

Lightyear

Lightyear


Ano: 2022

País: Estados Unidos

Duração: 105 min

Direção: Angus MacLane

Roteiro: Jason Headley, Angus MacLane

Elenco: Uzo Aduba, Taika Waititi, Chris Evans


 

NOTA DO CRÍTICO: 6,0

 

Confira o trailer de Lightyear abaixo:


 







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