'Clube da Esquina' um disco sobre a importância do coletivo, um marco na música pop brasileira



Com toda certeza esse é aquele disco que externa inúmeros sentimentos nos corações de uma multidão. Uma obra-prima que não pertence a nenhum tempo, intemporal em sua contextualização. O que Milton Nascimento, Lô Borges e cia criaram vai muito além de meras canções, o álbum é tangido por alma, coração e o lindo vínculo da amizade. Quem sabe esse seja o grande triunfo do Clube? Imprimir por notas e melodias os sentimentos que afloram o tempo inteiro no peito.


Recentemente 'Clube da Esquina' foi eleito o melhor álbum da história da música brasileira, o que desencadeou uma série de questionamentos e opiniões contrarias as famosas listas de melhores álbuns, mas queira você sim ou não, a qualidade e importância desta obra é inquestionável para os valores da cultura brasileira. Um trabalho composto de canções ambiciosas, que narram um período da história do Brasil.


Enquanto o Brasil mergulhava nas águas sangrentas da Ditadura Militar, o ano de 1972 foi um divisor de águas para a música pop brasileira ou se preferir MPB, discos como 'Acabou Chorare' dos Novos Baianos, 'A Dança da Solidão' de Paulinho da Viola, sem falar nos álbuns autointitulados de Tim Maia, Jards Macalé, Tom Zé e Elis Regina. E depois de muito tempo em exílio voltavam ao Brasil os heróis da Tropicália Gilberto Gil com 'Expresso 222' e Caetano Veloso com 'Transa' ; e no meio desse alvoroço todo, pairava sobre a MPB o 'Clube da Esquina', um dos discos mais pragmáticos e emblemáticos da história da música brasileira, um álbum duplo, edificante e mistificador.


A magia de 'Clube da Esquina' está justamente em sua diversidade sonora, nenhum clube na época transitou emocional e lindamente por diversos amores como: Beatles, rock psicodélico e música clássica ocidental. Misturando isso tudo ao balanço sedutor de Miles Davis e John Coltrane.


O disco consolidou Milton Nascimento como um marco da música pop brasileira, mas também acendeu as carreiras de Beto Guedes, Toninho Horta, Nelson Ângelo e Lô Borges. Clube da Esquina aflorou esse sentimento de camaradagem e comunidade, enfatizou a importância dos encontros sociais casuais para cantar, tocar e reunir a moçada . Esse espírito colaborativo permeia por todo o disco. Um farol em meio ao "vazio cultural".




 

NOTA DO CRÍTICO: 9,5

 



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