Aeon Station: 'Observatory', Indie Rock nostálgico e inspirador.



Com certeza você já deve ter ouvido falar no The Wrens- um importante grupo de Indie Rock de Nova Jersey que em sua trajetória nos brindou com belas obras sinfônicas e radiofônicas, como: ‘Silver’ (1994), ‘Secaucus’ (1996), o sensacional e aclamado ‘Meadowlands (2003). Deixou sua marca saborosa no coração dos Indies. Com o fim da banda Kevin Whelan, baixista e um dos compositores do grupo, decidiu dar sequência em seus trabalhos de composição adotando o nome de Aeon Station, ele lançou no fim do ano passado ‘Observatory’, debut que marca sua estreia solo resguardando seu imo e projetando novas experiências e distintas direções no seu processo criativo. Observatory é um disco de Indie Rock tocante e insolentemente sentimental, com ótimas guitarras ganchosas e versos feitos para ficarem martelando em sua cabeça o tempo todo. Canções que encontram o ponto ideal entre hits e o íntimo.


O disco é embalado por grandes canções que tocam nos temas de arrependimentos e naquela sensação de potencial não alcançado ou realizado. Whelan mergulha profundamente em um disco conciso, intenso e frequentemente catártico, sem deixar de lado aquela aconchegante sensação de ternura que traz afagos para os corações solitários e oprimidos por tempos tão tempestuosos e ingratos. “Leaves” segunda faixa do disco pode muito bem ter aquele efeito épico e terapêutico. Uma canção melodiosa, bonita, de versos reflexivos e poéticos. “Eu carrego as correntes que você deixou para trás/Não consigo encontrar a chave que me permite deixar você ir /Eu me pergunto por quanto tempo eu preciso ficar sozinho”, diz o verso da canção. Em “Everything at Once” você pode muito bem se ver em terras de gigantes como Big Star e Teenage Fanclub, a canção traz toda aquela vibe nostálgica e agridoce do Indie Pop e Power Pop, de certo modo, acolhedora e sensível. Pode muito bem ser uma canção sobre sua própria história de fundo e até mesmo uma bela e nostálgica homenagem ao The Wrens. “Fomos os pilotos de todos os sonhos que destruímos”, lamenta ele.

Apesar da melancolia envolvida nas canções, Whelan deixa sempre aquela gota de esperança, apontando a direção de como lidar com mudanças e reconstruções que nos permitem abraçar as novas oportunidades que a vida aponta.

O trabalho não foge de suas vertentes e origens iniciadas lá atrás com The Wrens. Ele se comporta como deveríamos esperar de um álbum cuja sua construção iniciou por volta dos anos 2000, pode muito bem fugir do Indie Rock contemporâneo, mas sua entrega e sinceridade fazem uma audição satisfatória desse disco e merece ser ouvido pelos seus próprios méritos. Se vai agradar os fãs de longa data do Wrens aí já é outra história que esbarra nos vestígios de um retorno há muito prometido.


Meu conselho é que você ouça e deguste das ótimas melodias e ritmos guitarrísticos sonhadores e esperançosos, onde Whelan ressalta particularidades de sua própria identidade, experiências pessoais e muito sentimentalismo. Assim como ele canta na bela e inspiradora “Better Love, “Aí vem um amor melhor/Aí vem aquele que você sempre sonhou que sempre teria”. Aos meus olhos a única canção do disco que não aborda arrependimentos e derrotas, retrata uma vitória absoluta. Você não pode se privar de algo melhor, (afirma Observatory no seu final) sem se permitir seguir em frente. É tudo que precisamos ouvir para esse ano que se inicia.

 

Ficha Técnica:

AEON STATION

Disco: Observatory

Data de Lançamento: 10 de dezembro de 2021

Gênero: Indie Rock, Power Pop

Ouça: "Leaves", "Everything at Once" e "Better Love"

Para quem gosta de: Teenage Fanclub e Big Star

Nota: 7,5



 

Spotify:


 

Veja o vídeo de "Fade" abaixo:


 

Sobre Marcello Almeida

É editor e criador do Teoria Cultural.

Pai da Gabriela, Técnico em Radiologia, flamenguista, amante de filmes de terror. Adora bandas como: Radiohead, Teenage Fanclub e Jesus And Mary Chain. Nas horas vagas, gosta de divagar histórias sobre: música, cinema e literatura. marce.almeidasilvaa@gmail.com


 


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