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'Violeta', um livro de Isabel Allende que traz resiliência para viver a vida cheia de histórias

"Minha vida é digna de ser contada não tanto por suas virtudes quanto por meus pecados; de muitos deles nem desconfias. Aqui os conto. Verás que minha vida é um romance." (trecho do livro)

 (Lori Barra/Divulgação)


A literatura latino-americana é rica em livros muito bons e escritores excelentes, das mais diversas nacionalidades e gêneros literários, como o poeta chileno Pablo Neruda, o contista argentino Julio Cortázar, o saudoso romancista colombiano Gabriel García Márquez, o ficcionista uruguaio Eduardo Galeano, o ilustre cubano Leonardo Padura Fuentes e o multifacetado mexicano Carlos Fuentes. Mas, entre todos esses nomes, um que jamais pode deixar de ser mencionado é a chilena/norte-americana Isabel Allende, que desde seu amado e cultuado livro de estreia, "A Casa dos Espíritos", em 1982, vem conquistando o público e a crítica com uma escrita bastante elogiosa, que mescla elementos de autobiografia, romance e ficção. E é com esses elementos que, em 2022, ela lança o livro "Violeta", uma obra literária imperdível da autora que merece ser lida e compartilhada.


"Violeta" nos apresenta a história de uma mulher chamada Violeta, que nasceu em um dia tempestuoso de 1920. Desde o seu nascimento, ela testemunha muitos acontecimentos em sua vida e no mundo, os quais afetaram profundamente a sua existência, como a Gripe Espanhola em seu país e a Grande Depressão. Em formato de carta, ela narra e escreve para um destinatário chamado Camilo todos esses episódios, bem como suas decepções, casos amorosos, momentos de pobreza e riqueza, a ascensão e queda de tiranos no poder, e como vivenciou as duas pandemias (incluindo a da Covid-19).



Isabel Allende presenteia esse livro com uma escrita magistral, que deixa o leitor bem próximo a Violeta, como se ela fosse uma pessoa conhecida e importante na vida de cada um, como uma amiga ou uma familiar querida, ao envolver o leitor com acolhimento, humildade e sabedoria em suas páginas. A escrita é fluída, sabendo trazer de forma sensata os momentos de lentidão, suavidade e complexidade na medida certa. Ao mesmo tempo, Allende traz elementos culturais latino-americanos, buscando e valorizando a origem de Violeta. Tudo isso faz com que o livro seja ainda mais especial e apaixonante.


Ao escolher o nome da personagem principal como título da obra, vemos uma escolha acertada, pois chama a atenção para a profundidade presente no livro, destacando a própria Violeta. A história traz elementos de existencialismo e sentimentalismo, nos quais é impossível não se comover e se emocionar com a forma como cada um desses elementos é apresentado na trama literária.



Além disso, a mulher Violeta descreve a sua vida associada aos momentos históricos que viveu e presenciou, mostrando-se como parte da História com destreza, esperteza e riqueza de detalhes. Ao mesmo tempo, ela enfrenta reviravoltas e revelações sem perder a força e o carisma pessoal. Contudo, Violeta consegue trazer seu lado questionador diante das injustiças, seu lado provocador diante das mudanças e seu lado romântico ao revelar sua plenitude de amores.


Em entrevista, a autora disse que o livro é inspirado em sua mãe, e apenas por essa informação ela consegue trazer um bônus de comoção ainda mais forte ao nos depararmos com suas palavras. Principalmente, porque isso resulta em uma homenagem especial, mesmo que, segundo a opinião dela, a vida delas tenha tido diferenças e semelhanças em suas trajetórias.



Isabel Allende conseguiu, com essa obra literária, extrair de forma excelente seu talento como contadora de histórias. Isso faz com que a obra agrade tanto aos leitores antigos, que amam seu estilo de escrever romances, quanto aos novos leitores, que têm a oportunidade de conhecer uma autora com uma escrita incrível. A narrativa é deslumbrante, a personagem principal é cativante, os temas abordados são universais e tratados com inteligência. A trama é habilmente construída, deixando a marca de uma autora que está sempre se reinventando e mostrando, na literatura, o quão rica é sua arte. Allende apresenta suas visões de mundo de forma persistente e resiliente, trazendo consigo a lição moral de sermos os protagonistas de nossas próprias histórias. Somos instigados a nos apaixonar e a nos indignar sempre que necessário nesta vida.

 

Violeta

Isabel Allende


Páginas: 322

Lançamento: 2022

Gênero literário: Ficção Histórica, Romance

Idioma original: Espanhol

Para quem gosta: Gabriel García Márquez, Leonardo Padura Fuentes, Eduardo Galeano


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,5

 

Descrição da autora:

A escritora, ativista, filantropa e feminista Isabel Allende Llona nasceu em 2 de agosto de 1942, no Peru, porém ela é chilena. Seu pai, Tomás Allende, era um diplomata chileno, e sua mãe se chamava Francisca Llona. Ela é sobrinha do político Salvador Allende. A autora estudou Jornalismo, trabalhando como colunista e redatora, também escrevendo obras infantis e teatrais. Em 1982, lançou seu primeiro livro, "A Casa dos Espiritos." Adquiriu a cidadania norte-americana em 2003. Seus livros são bastante lançados e traduzidos ao redor do mundo.



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