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Vangelis –1943-2022: Um músico cujas paisagens sintéticas futuristas mudaram o cinema para sempre


O célebre compositor Vangelis morreu aos 79 anos. CRÉDITO: Getty

Seja incorporando a coragem e a glória da resistência olímpica ou até mesmo a decadência de uma paisagem urbana futura distópica, as texturas criadas pelo compositor Vangelis, músico que faleceu na semana passada (19), literalmente expandiram-se da tela do cinema para influenciar de vez a cultura pop.


Um grande nome das trilhas sonoras, suas músicas transcenderam suas raízes cinematográficas. De mãos dadas com a revolução eletropop, as evocativas aberturas de sintetizador de 'Carruagens de Fogo' e Blade Runner ajudaram a adicionar a música eletrônica no coração dos anos 80.


Vangelis foi um músico que sempre soube unificar suas influências musicais vindas de artistas como Cocteau Twins e Enya, era de se esperar que seus projetos musicais se tornariam fundamentais e importantes para música eletrônica, incluindo electroclash, ambient e atos contemporâneos. Vangelis moldou o uso de sintetizadores atmosféricos retro-modernos dos anos 80 – isso pode ser visto em artistas como The Weeknd, HAIM, kENDRICK, Perfume Genius, Mitski, etc. Todos eles possuem um pouco Vangelis.


Isso também ficou muito evidente em seus contemporâneos mais notáveis ​​da trilha sonora, o trabalho cinematográfico de Vangelis sempre foi feito em paralelo com uma carreira entrelaçada no pop e no rock. Nascido Evángelos Odysséas Papathanassíou em 29 de março de 1943, em Agria, Grécia, Vangelis juntou peças de vanguarda no piano da família envolvendo pregos, panelas e estática de rádio desde os quatro anos de idade, e desenvolveu um amor pelo rock e jazz em sua adolescência. Adquirindo seu primeiro órgão Hammond aos 18 anos, em 1963 ele lançou The Forminx, que fez sucesso na Europa com nove singles e um EP de Natal ao longo de três anos, enquanto Vangelis também se envolveu em trilhas de filmes como My Brother, The Traffic Policeman (1963), Frenzy (1966) e Five Thousand Lies (1966).

Harrison Ford em 'Blade Runner'. CRÉDITO: Alamy

Em 1968, a Grécia presenciava uma enorme turbulência política após o golpe em 1967, Vangelis pegou suas mudas de roupas e partiu para Paris, onde começou a cultuada banda progressiva Aphrodite's Child ao lado do amigo Demis Roussos. Munidos de enormes ideias gravaram um álbum duplo com tema em questão chamado '666' baseado no Livro do Apocalipse de 1971.


Embora o álbum fosse o mais aclamado pela crítica, as tensões musicais durante a gravação os separaram antes de seu lançamento em 1972. Enquanto continuava a produzir discos de Roussos, Vangelis definitivamente embarcou em uma carreira solo com 'Fais Que ton rêve soit plus long que la nuit' de 1972, inspirado nos distúrbios estudantis franceses de 1968. Após isso, o músico se mudou para a grande Londres em 1975 e lá montou um estúdio em um apartamento de Marble Arch que ele apelidou de “o laboratório”, e seria nesse suposto laboratório ele gravaria discos eletrônicos relacionados com a dualidade, filosofia e a cultura chinesa para a RCA.


Enquanto isso, ele promoveu seu trabalho de trilha sonora em filmes como Amore de Henry Chapier (1973) e documentários sobre a natureza, incluindo La Fête Sauvage (1975) e Opéra Sauvage (1979). Em 1974, ele também fez um teste para substituir o tecladista Rick Wakemen na banda progressiva Yes, mas recusou a oportunidade devido a problemas de visto e relutância em viajar. Mais tarde, ele embarcaria em uma colaboração de sucesso com o cantor Jon Anderson; o primeiro dos quatro álbuns que eles fizeram como Jon And Vangelis, 'Short Stories' de 1980, atingiu a colocação de 4º lugar no Reino Unido, enquanto seu single 'State Of Independence' de 1981 se tornou um sucesso para Donna Summer.


Vangelis ficaria nitidamente conhecido após conceber a bela trilha sonora do drama esportivo 'Carruagens de Fogo' de 1981 dirigido por Hugh Hudson. Para a música do filme, ele usou sintetizadores com partituras orquestrais clássicas, e com isso o tema se tornou uma das músicas cinematográficas mais reconhecidas e aplaudidas de todos os tempos – e lhe rendeu o número um nos EUA tanto para o single quanto para o álbum, além de um Oscar em 1982 de Melhor Trilha Sonora Original. A faixa também foi usada nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1984 e se tornou o som da conquista esportiva em todo o mundo. “[A] principal inspiração foi a própria história”, disse Vangelis sobre a faixa. “O resto fiz instintivamente, sem pensar em mais nada, a não ser expressar meus sentimentos com os meios tecnológicos disponíveis na época.”

'Chariots Of Fire' foi o grande avanço cinematográfico de Vangelis. CRÉDITO: Alamy

Após 'Carruagens de Fogo', o músico evocou ambientações magistrais distópicas para trilha sonora de 'Blade Runner' (1982), de Ridley Scott – a qual ele teve permissão para lançar em disco até 1994 – o compositor foi inundado com ofertas para trabalhar em trilhas sonoras. Ele escolheu com moderação, rejeitando a sequência de '2001:Uma Odisseia no Espaço' e aceitou contribuir com o drama marítimo de Mel Gibson 'Rebelião em Alto Mar' de 1984 e ganhou muito mais prêmios e reconhecimentos por sua música para 'Desaparecido- Um Grande Mistério' (1982), '1492: A Conquista do Paraíso' (1992), de Ridley Scott e Lua Amarga de Roman Polanski(1992).


Enquanto isso, ele se voltou para partituras de teatro e balé, e documentários sobre a natureza (trabalhando com Jacques Cousteau) e discos totalmente temáticos. 'Conexões Invisíveis' de 1985, por exemplo, focava no mundo das partículas elementares, enquanto 'A Cidade' de 1990 refletia a agitação de um único dia em Roma.


Para um artista tão tímido em publicidade – ainda não está claro quantos casamentos ele teve, ou onde viveu grande parte de sua vida – sua música parecia tão ampla quanto o próprio universo.

 


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