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“Todo Homem” é a melhor definição de delicadeza, perda e daquilo que continua vivendo dentro da gente

Toda pessoa carrega uma ausência

Foto: Elisa Maciel
Foto: Elisa Maciel

Todo Homem, de Zeca Veloso, é daquelas canções singelas que chegam mansinhas, meio quietas, e ficam ali no afago do peito, da alma. Experimente ouvi-la logo pela manhã, com o sol despontando no horizonte e com a mente ainda vazia de pensamentos… é possível sentir uma delicadeza rara, daquelas que chegam desarmadas. Uma espécie de fragilidade sem pose, sem drama excessivo. É simples, mas nunca rasa.



Zeca tem esse dom de cantar sem precisar provar nada. A música vai caminhando devagar, abrindo espaço pra gente se reconhecer ali, com todas as contradições, medos e afetos que cabem num “todo homem”.


É daquelas músicas que pedem silêncio quando acaba. Porque ela fala também desses laços invisíveis que vão moldando a gente ao logo do tempo, dos anos. E poucos são tão fundadores quanto o vínculo com uma mãe. E quando ela se vai, fica aquela saudade diferente, uma saudade transmutada pela falta e pelo amor. Daquelas ausências que reorganizam a vida inteira.


E tem versos nessa canção que parecem carregar isso com tamanha plenitude e leveza, muito da voz de Zeca Veloso, que diz poeticamente que a gente segue, mas nunca inteiro do mesmo jeito. Como se algo continuasse vivendo dentro da gente, mesmo depois da perda. Um gesto, uma voz, um jeito de olhar o mundo.


O Zeca canta com uma suavidade que não tenta consertar ou diminuir a dor. Ele só acolhe. E talvez seja isso que torna a música tão forte pra quem já perdeu uma mãe. Ela não explica a saudade. Ela reconhece que ela existe. E que vai ficar.



É daquelas faixas que não doem no ouvido, mas apertam o peito com cuidado. Não à toa, Zeca escolhe imagens que parecem pequenas, quase domésticas. Coisas que passam, mas ficam.


O sol, manhã de flor e sal

E areia no batom

Farol, saudades no varal

Vermelho, azul, marrom



Mas a canção não se limita a uma única ausência. Ela fala de tudo aquilo que falta e, ainda assim, sustenta quem a gente é. Pessoas, tempos, versões de nós mesmos que ficaram pelo caminho.





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