Segunda Temporada de Fallout continua capturando a essência do jogo mas escorrega em alguns núcleos narrativos
- Eduardo Salvalaio

- 1 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de mar.
Atenção: breve resumo e análise da temporada, cuidado pois contém SPOILERS!

Clique aqui para ler nossa resenha sobre a primeira temporada.
Podemos dizer que a série The Last of Us e Fallout (em sua primeira temporada), embora não tão perfeitas como um todo, conseguiram ao menos tirar aquele ingrato estereótipo de que produções de videogame não funcionam em suas versões nas telas de cinema.
No caso da primeira temporada de Fallout, todo aquele universo retrofuturista ficou bem representado nas telas em 8 episódios criativos dosando sci-fi, humor e ação, sem recorrer a um roteiro tão exagerado e burlesco demais. Algo que fez o espectador se sentir bem próximo das características do renomado jogo.
A segunda temporada teria a missão de continuar neste nível. Infelizmente, os 7 episódios não reproduziram fielmente a qualidade da temporada anterior. Embora a série ainda mantenha características e a personalidade do jogo, o desequilíbrio dos núcleos narrativos trouxe episódios mais lentos e nem tão atraentes.
Esse desequilíbrio é recorrente da falta de desenvolvimento de alguns personagens. Um exemplo: Hank MacLean (Kyle MacLachlan), o pai de Lucy MacLean (Ella Purnell). O final da primeira temporada prometia um personagem com muito para desenvolver, infelizmente, ele é desperdiçado em tela. As cenas com ele, andando a todo instante com um carrinho de golfe por um laboratório testando um dispositivo controlador de mentes em várias cobaias (pobres pessoas) ficou chatas demais. Se o objetivo era mostrar cabeças explodindo, os produtores conseguiram até de sobra.
Outra parte monótona se concentrou nas vaults (para o texto, usaremos refúgio). Mesmo com a iminência de uma falta de água para os integrantes do refúgio 33, esse núcleo não trouxe tanta engrenagem para a narrativa. Diálogos enfadonhos, parte da série sem motivação. E olha que temos uma personagem que merece ser melhor explicada, algo que até aconteceu nos 2 últimos episódios. Estamos falando de Stephanie Harper (Annabel O'Hagan).
Norm MacLean (Moises Arias) é um personagem que apareceu mais nesta temporada. A sua fuga do refúgio junto a um grupo de integrantes que estavam em cápsulas criogênicas deve ganhar mais amplitude numa próxima temporada. Entretanto, claro que o espectador esperava mais tensão de um grupo recém saído de uma zona de conforto para um ambiente pós-apocalíptico perigoso.

A cereja do bolo, pra variar, acaba sendo a dupla Cooper Howard em sua versão Ghoul (Walton Googins) e Lucy. Ambos passaram por maus bocados. Além disso, a parceria entre os dois é cheia de altos e baixos, ainda duvidosa quando a questão é a confiança. Cada um com seus objetivos pessoais, os dois passaram por escorpiões gigantes, pela esquisita Legião de César e chegaram na famigerada New Vegas, um território cujos arredores são cercados pelos temíveis Destroçadores (os abomináveis e gigantes Deathclaws do jogo).
Maximus (Aaron Moten) também é um personagem amadurecido, fortalecido pelo cenário ao seu redor e pelas próprias regras impostas pela Irmandade do Aço. Começa a questionar o sistema em que está envolvido. A sua ideia de acabar com o Ancião Clérigo Quintus (Michael Cristofer) pode mudar algumas coisas, porém o corajoso escudeiro sabe que após tal ação, será perseguido e precisará fugir constantemente.
A cena do escudeiro impedindo que várias crianças fossem mortas garantiu um momento sensível e trouxe um pensamento de que mesmo num mundo desolado e devastado, ainda pode existir humanidade. Thaddeus (Johnny Pemberton) certamente será um grande aliado de Maximus. Digamos que ele confere bastante um lado cômico para a narrativa desde suas falas sobre sua transformação física até seu jeito desengonçado de andar na imponente armadura da Irmandade do Aço.
Outa surpresa foi o aparecimento de Macaulay Culkin. Ele interpreta um membro do alto escalão da Legião de César. Apesar da crítica de alguns internautas quanto a sua atuação, importante destacar um ator do passado que gradualmente volta às telas.
A segunda temporada de Fallout mantém um bom design de produção e continua misturando humor negro, sci-fi distópico, drama e ação. A falta de emoção para certos núcleos e personagens que não ganharam desenvolvimento correto acaba deixando alguns episódios bons, outros bem monótonos. De qualquer forma, sempre aguardamos mais surpresas de um mundo pós-apocalíptico bizarro e cruel que ainda tem muito para nos dizer.











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