Por Cima do Seu Cadáver: quando o amor ainda é o melhor recurso para superar as condições adversas
- Eduardo Salvalaio

- há 5 dias
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Atualizado: há 4 dias
Entre humor ácido, violência exagerada e um casamento à beira do colapso, o filme transforma um fim de semana romântico em um jogo mortal

Tema constante no cinema, os relacionamentos amorosos podem ser vistos através de distintas perspectivas. Um aspecto mais dramático que leva o espectador às lágrimas, o romantismo que leva os casais a assistirem juntos e, por um lado contraditório, pode também chegar encharcado de cinismo, deboche e humor ácido.
Por Cima do Seu Cadáver (Over Your Dead Body, 2026) do diretor Jorma Taccone cai para o terceiro exemplo. O filme entrega logo de início sua intenção: Lisa (Samara Weaving) e Dan (Jason Segel), um casal com relacionamento complicado, decide passar um final de semana numa cabana isolada, entretanto o passeio serve como um plano oculto onde cada qual deseja matar seu parceiro.
A produção é um remake americano do filme norueguês A Viagem (The Trip, 2021), dirigido por Tommy Wirkola. Claro que existe sempre uma desconfiança para remakes, sobretudo quando os originais são europeus. Eu mesmo assisti a essa nova versão sem saber que se tratava de um remake, então, o filme acabou saindo mais como uma ideia de algo novo, onde é melhor para não tecer comparações.
Mesmo antes da chegada à cabana, percebemos como o casal vive numa constante briga. Seja na música que toca dentro do carro que não agrada a ambos, seja até na desconfiança de uma possível traição, as discussões são pesadas e continuam dentro da residência.
Esse jogo de truques e estratégias acaba sendo divertido e cheio de surpresas, até porque. o espectador ainda está descobrindo a personalidade do casal. Entre sacos com pedras, serras, escopeta e clorofórmio, o diretor pretende criar um jogo onde é difícil dizer quem sairá melhor.
O conflito criado pelo próprio casal pode ter até mesmo um resultado inusitado, sobretudo quando novos e inesperados elementos surgem na narrativa. O estilo narrativo engrena ao juntar camadas através de flashbacks e trazendo novos personagens.
Após a meia hora inicial, o filme ganha ainda mais um contorno pesado, por vezes através de cenas exageradas, carregadas com um toque de violência cartunesca. O diretor sabe criar tensão e impacto, embora muitas vezes use esse recurso apenas para entrar com uma cena que acaba terminando engraçada ou que toma outro rumo.

Apesar de muitos detalhes reunidos em tela, o ritmo oscila em alguns momentos e começa a parecer repetitivo, o que acaba impedindo que o filme seja perfeito como um todo. Alguns diálogos desnecessários também não acrescentam tanto numa história que já sabemos tem preferência para o apelo visual constituído de ação sangrenta e humor negro.
O filme traz referências a títulos como Harry Potter e também brinca com a própria indústria do cinema, exemplo é uma cena onde um dos personagens rasga elogios aos filmes de sua vítima (que é diretor), mesmo diante de um ato violento. O personagem ironiza dizendo que não gostou do final, porém o diretor diz que foi obrigado a fazer daquela forma senão o filme não venderia.
O elenco conta com a participação de Timothy Olyphant. Aqui, o ator entrega um personagem bem diferente do que ele fez na série Justified. Também temos a presença de Juliette Lewis em mais um papel intenso e debochado onde ela volta a se destacar como uma atriz marcante.
Mesmo com alguns deslizes, Taccone consegue segurar seu filme até os instantes finais. Não faltam surpresas, armas letais em ação, mortes e o desejo de se manter vivo. Mais do que isso, ainda consegue refletir sobre o poder do amor e sua capacidade em mudar cenários adversos.
Trailer:
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