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Paul McCartney explica por que evita selfies com fãs: “Não quero me sentir como um macaco de praia”

Ex-Beatle refletiu sobre fama, exposição e normalidade em participação recente no podcast The Rest Is Entertainment.

Paul McCartney
Foto de Mary McCartney

Em uma era dominada por celulares, redes sociais e registros instantâneos de absolutamente tudo, Paul McCartney segue tentando preservar algo que considera essencial: sua própria normalidade.


Durante participação recente no podcast The Rest Is Entertainment, o ex-Beatle abriu o coração ao falar sobre fama, exposição pública e a dificuldade de continuar sendo ele mesmo depois de mais de seis décadas vivendo sob os holofotes. Segundo Paul, a relação com o sucesso mudou muito ao longo dos anos, principalmente com a transformação tecnológica e o comportamento criado pelas redes sociais.


O músico reconheceu que ele e os Beatles adoravam a explosão da Beatlemania no início da carreira, mas explicou que a convivência constante com a fama exige certo equilíbrio emocional.


“Com o passar do tempo, as coisas mudaram. Hoje em dia são os celulares. Então, quando encontro alguém e a pessoa pega o telefone para tirar uma foto, eu digo: ‘Desculpa, mas eu não faço fotos’. E isso acaba soando radical atualmente”, comentou o artista, deixando claro que sua decisão não nasce de arrogância, mas de uma necessidade pessoal de preservar sua identidade fora do personagem público que o mundo criou em torno dele.





Durante a conversa, McCartney relembrou inclusive um papo que teve com Oprah Winfrey sobre o assunto. Segundo ele, existe uma razão mais profunda por trás dessa escolha.


“Eu sempre dou uma explicação longa. Digo que algo importante relacionado à inocência e à normalidade se perderia se eu começasse a me enxergar acima de mim mesmo. No momento em que eu acreditar nesse personagem famoso, eu não vou mais gostar de quem sou. Então tento continuar sendo apenas eu”, afirmou.


Em seguida, Paul utilizou uma metáfora curiosa para explicar o desconforto que sente ao ser transformado constantemente em atração pública.


“Eu conto para as pessoas uma história sobre Saint-Tropez, no sul da França, onde existe um homem na praia com um macaco. Você paga para tirar uma foto com o animal. E sinceramente? Eu não quero me sentir como aquele macaco. Quando estou tirando foto com alguém o tempo inteiro, parece que deixo de ser eu e me transformo em outra coisa”, explicou McCartney.


A fala rapidamente repercutiu entre fãs nas redes sociais justamente por mostrar um lado mais vulnerável do músico, alguém que apesar do tamanho gigantesco de sua carreira ainda tenta manter alguma distância da própria mitologia construída ao redor de seu nome.



Paul também comentou que evita pensar profundamente sobre a dimensão da própria fama porque acredita que isso poderia se tornar emocionalmente destrutivo.


“Se eu realmente parar para pensar nisso tudo, acho que minha cabeça explode. Então eu tento simplificar as coisas. Penso: ‘Foi um bom show’, e pronto. Porque eu não me sinto aquele cara famoso. O famoso é outro personagem. Eu sou só o cara que acorda de manhã e vai tomar café”, declarou.


Existe algo bastante simbólico nessa tentativa constante de separar o ser humano comum da figura histórica que o mundo insiste em enxergar nele.


O músico de 83 anos ainda atribuiu muito dessa postura à educação que recebeu em Liverpool.


“Tive muita sorte de crescer em uma família extremamente amorosa, inteligente e trabalhadora”, afirmou.


E talvez seja justamente essa origem que continue funcionando como âncora emocional para Paul McCartney, mesmo depois de ter atravessado praticamente toda a história da música popular moderna. Não por acaso, esse olhar para a juventude, para a família e para suas raízes também aparece diretamente em seu próximo disco, The Boys Of Dungeon Lane, que será lançado no dia 29 de maio.


O novo trabalho marca o primeiro álbum de estúdio de McCartney desde McCartney III, de 2020, e promete explorar memórias da infância e do início de sua trajetória antes da explosão mundial dos Beatles. Recentemente, Paul também lançou “Home to Us”, faixa gravada ao lado de Ringo Starr, em um reencontro histórico que emocionou fãs ao redor do mundo.


Mesmo depois de tantas décadas sendo tratado quase como uma entidade da cultura pop, McCartney parece continuar buscando algo muito mais simples: permanecer reconhecendo a si mesmo dentro do próprio reflexo.



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