"O Spotify tem falhas mas não é o culpado pela economia da música", diz fundador da Thirty Tigers.


Desde que Neil Young anunciou a retirada da sua música do Spotify devido a informações falsas em relação às vacinas contra a COVID-19, proferidas no programa de podcast de Joe Rogan, inúmeras conversas em relação ao gigante do streaming surgiram e repercutiram em toda a indústria da música. Muitos artistas ficaram do lado de Young como Joni Mitchell, India Arie e outros, se manifestaram e também retiraram suas músicas da plataforma em protesto ao programa de Rogan, que possui um acordo milionário com a empresa, aproveitando os ganchos das discussões geradas Rosanne Cash e Sadie Dupuis, aproveitaram para abrir outro paralelo em relação à estrutura de pagamento do Spotify, direitos do artista e a economia de streaming, em geral.


Diante de todas essas conversas, David Macias, proprietário e cofundador da empresa de serviços de gravadora Thirty Tigers, com sede em Nashville, ficou aborrecido e contrariado com o que ouviu como uma conversa desequilibrada que coloca o Spotify apenas como um vilão solitário no meio da história. Do ponto de vista de Macias- como chefe de uma gravadora independente que obteve sucesso durante a era do streaming- a discussão em relação a pagamentos de royalties e streaming é muito mais sutil e delicada. Ele falou para Rolling Stone como funciona a organização de pagamento de sua empresa e como o Spotify ajudou e beneficiou sua lista de artistas ao longo dos anos.


Na Thirty Tigers, a regra básica é que nossos artistas ganham em torno de 75% do rendimento bruto. Dividimos os 25% restante com a Orchard, que é nossa distribuidora. No ano passado faturamos US$ 36 milhões em vendas, e os 10% a 12% que mantemos é como pagamos toda nossa equipe de um total de 27 pessoas. Nós vamos lá e agimos como uma gravadora em nome de um artista, mas permitimos que os artistas tenham a propriedade de seus trabalhos. Como se eles fossem os seus próprios selos, enquanto a nós, somos sua amorosa equipe de back-end.


O negócio é que está ficando cada vez mais difícil sobreviver ou ganhar a vida como artista. Quem traça esse caminho tem meu total respeito, se um artista transmitir em torno de um milhão de vezes, ele vai receber em torno de US$ 4.000. Mesmo que isso pareça que um milhão de streaming possa ser uma tonelada, no ano passado, 45 de nossos aproximadamente 100 artistas foram transmitidos um milhão de vezes em todas as plataformas de streaming, alguns até consideravelmente mais do que isso.

"Então, fico aborrecido quando vejo artistas e aqueles que os amam diagnosticarem erroneamente a fonte de sua dificuldade. O Spotify é o atual bode expiatório para os males do artista da classe trabalhadora independente, apesar de pagar 63% da receita bruta de volta aos detentores dos direitos."

A democratização foi um grande passo e trouxe muitos benefícios para os artistas independentes na medida em que possibilitou uma chance a mais, mas não foi o suficiente para ter ou ganhar um salário digno. A torta está sendo cortada de maneira bem fina e a maioria dos artistas passa fome.


A maior questão é, como os artistas podem ganhar dinheiro o suficiente para sobreviver? O Spotify é perfeito? Longe disso. Não vou entrar em detalhes sobre a situação envolvendo Joe Rogan. Isso é uma questão de consciência para os artistas e seus defensores.

 

Sobre Marcello Almeida

É editor e criador do Teoria Cultural.

Pai da Gabriela, Técnico em Radiologia, flamenguista, amante de filmes de terror. Adora bandas como: Radiohead, Teenage Fanclub e Jesus And Mary Chain. Nas horas vagas, gosta de divagar histórias sobre: música, cinema e literatura, e curtir as aventuras do cão Dylan. marce.almeidasilvaa@gmail.com



 

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