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O Agente Secreto vence no Critics Choice, mas forma da premiação gera indignação

Quando o prêmio vem, mas o palco não

Wagner Moura em O Agente Secreto
Imagem: Divulgação

A vitória existiu, o constrangimento também.


A edição deste ano do Critics Choice Awards consagrou diversos filmes e séries, mas acabou envolvida em uma controvérsia que ganhou força nas redes sociais e na imprensa internacional. Por conta da extensa lista de categorias da premiação, vários troféus foram anunciados e entregues fora do palco principal, ainda no tapete vermelho.



Entre eles, o de Melhor Filme Internacional, concedido a O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.


A decisão não passou despercebida, nem foi bem recebida. A repercussão foi imediata, com críticas vindas do Brasil e do exterior, apontando falta de respeito com o filme, com seus realizadores e com a própria categoria.


Algumas reações da mídia e de comentaristas circularam com força nas redes:


"O fato de o diretor de O Agente Secreto e Wagner Moura subirem ao palco para anunciar o vencedor de melhor filme, mas não para receber o prêmio quando já haviam ganhado de melhor filme internacional, é uma grande falta de respeito. Não faz sentido."




"Anunciar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no tapete vermelho de forma tão desleixada é uma falta de respeito inacreditável."



"Eu absolutamente odeio que o E! esteja anunciando aleatoriamente categorias 'menos importantes' do Critics' Choice Awards ao vivo no tapete vermelho, o que confunde todos os vencedores porque eles acham que é um tanto... Aqui está a equipe de O Agente Secreto descobrindo que acabaram de ganhar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro."


"Isto é burro e ofensivo."


O incômodo cresce ainda mais quando se observa o contexto: Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura subiram ao palco da cerimônia principal para anunciar outro prêmio, mas não tiveram o mesmo espaço para receber o troféu que já havia sido concedido ao filme brasileiro minutos antes, longe dos holofotes e sem direito a discurso.



Ambientado em Recife, em 1977, O Agente Secreto acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia que retorna à cidade natal em busca de paz, apenas para encontrar um ambiente marcado por vigilância, repressão e segredos. O filme constrói um retrato tenso do Brasil dos anos 70, abordando temas como controle estatal, restrição de direitos e o uso da tecnologia como ferramenta de opressão.


O elenco reúne nomes centrais do cinema brasileiro, como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Hermila Guedes, além da participação de Udo Kier, em um de seus últimos papéis no cinema.


A polêmica contrasta com a trajetória internacional do longa. No Festival de Cannes, o filme teve uma campanha histórica: venceu Melhor Direção, com Kleber Mendonça Filho, Melhor Ator, com Wagner Moura, além do prêmio da FIPRESCI e da Premiação de Cinema de Arte.


Atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, com distribuição da Vitrine Filmes, O Agente Secreto segue acumulando reconhecimento, ainda que, desta vez, o modo como esse reconhecimento foi entregue tenha falado tão alto quanto o prêmio em si.

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