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Nine Sols: desafiador e brutal, porém contemplativo e imersivo num dos melhores Metroidvanias dessa década

Atualizado: 29 de mai.

Nine Sols traz alguns elementos criativos como os talismãs, incorporando novas mecânicas e dando mais fôlego ao gênero Metroidvania

Nine Sols:
Créditos: Red Candle Games / Reprodução

Alguns jogos deveriam chegar com um aviso: cuidado, você está diante de um jogo difícil e brutal, embora imersivo e contemplativo. Esse aviso, certamente, chegaria para Nine Sols, jogo desenvolvido pela empresa taiwanesa independente Red Candle Games.

 

Nine Sols engloba diversos elementos que contribuem para a história do jogo, mas que só serão compreendidos conforme avançamos e aprendemos mais sobre os personagens e o passado por trás deles. O jogo agrega a cultura asiática (sobretudo o Taoísmo) com a estética cyberpunk, o que para alguns jogadores rendeu o nome carinhoso de ‘Taopunk’.



 

Controlamos Yi, um guerreiro que foi traído por seu grupo e que depois de muitos anos retorna para sua vingança. Agora ele precisa percorrer as regiões de New Kunlun e encontrar os nove Sols, guerreiros tão poderosos quanto ele e que são os chefes que precisará enfrentar.

 

O jogo se inclui no estilo Metroidvania. Percorra um mapa labiríntico com vários lugares, adquira habilidades para avançar pela história, enfrente inimigos, encare plataformas complexas, encontre itens, morra e tente novamente. Um cenário 2D desenhando a mão dá vida a jornada de Yi.

 

Mas agora chega o ingrediente principal de Nine Sols: sua aproximação com os jogos Souslike. Sim, porque estamos diante de um combate punitivo e que demanda do jogador paciência, estudar o movimento dos inimigos e bloquear no tempo exato do golpe do oponente (o tradicional parry).

 

As características de combate citadas anteriormente acabaram rendendo comparações a Sekiro: Shadows Die Twice. Outro aspecto punitivo é perder o dinheiro (aqui chamado Jin) coletado e a experiência adquirida, isso caso a gente não consiga recuperá-los após ter morrido pela primeira vez. Claro, outra herança inegável dos jogos Souslike.

 

Créditos: Red Candle Games / Reprodução
Créditos: Red Candle Games / Reprodução

O combate traz um sistema bem inovador: o uso de talismãs. Quando realizamos um bloqueio, temos direito a usar um talismã que funciona como um dash pra cima do inimigo. Basta ativar um botão para em seguida soltá-lo e causarmos mais dano ao oponente, como numa espécie de contra-ataque.

 

Conforme avançamos, a árvore de habilidades concede mais técnicas e aprimoram os talismãs. Podemos ter desde aquele que controlamos o poder da explosão até aquele mais fácil de usar e que explode por conta própria, mas que causa menos dano. Cabe ao jogador estudar as possibilidades e escolher o seu preferido.


 


Em contrapartida, o jogo, ao contrário de outros do gênero, não oferece novas espadas e armaduras. Entretanto, recebemos um arco que utiliza 3 tipos de flechas (atordoante, explosiva e perseguidora) e que pode ganhar melhorias, mas caso seja encontrado um material específico. Então, é preciso vasculhar cada canto dos cenários.

 

Falando em exploração, existe um acessório muito importante que nos auxilia: a Ninfa Mística. Uma borboleta que controlamos e que consegue acessar lugares altos ou apertados com a finalidade de hackear portas e até mesmo de reverter mecanismos. Alguns lugares dependerão da habilidade do jogador pois são cheios de perigos, o que por si só já garante outra parte bem desafiante do jogo.

 

Também temos as Jades. São pedras que encaixamos como acessórios e que garantem atributos específicos ao nosso combate e ao personagem. Entretanto, mesmo entre 28 coletadas, podemos escolher apenas algumas que se encaixam nos espaços que temos. Entender como cada uma funciona será crucial na luta intensa contra os chefes.

 

Citando os chefes. Eles são o destaque da nossa jornada. O jogador irá morrer bastante até aprender os movimentos de cada um. Tudo depende da habilidade do jogador. Interessante que esse é um jogo onde errar um único movimento pode ocasionar nossa morte. Contudo, a batalha acaba sendo uma espécie de dança sincronizada onde cada passo precisa ser feito com precisão, desde uma esquiva até um bloqueio.

 

Ainda temos subchefes que também dão um pouco de trabalho e que muitas vezes precisam ser abatidos para que a história avance. O desafio não estaria tão completo se não existisse lugares que lembram arenas. Exemplo é a travessia de um rio onde, em cima de um barco, precisamos enfrentar inimigos para chegar à outra região do mapa. Nessas horas o jogador precisa não apenas enfrentar alguns oponentes em sequencia, bem como lidar com o espaço apertado ao redor.

 

Créditos: Red Candle Games / Reprodução
Créditos: Red Candle Games / Reprodução

Um jogo desafiante, porém nunca frustrante. E calma, ele só é complicado para quem deseja jogar na dificuldade original chamada Standard Mode. Caso o jogador não ligue para desafios, troféus e conquistas, pode colocar a dificuldade no Modo História e, inclusive, até aumentar os danos de ataque ou diminuir os danos sofridos. Portanto, com essas opções, Nine Sols é um jogo para todo mundo.

 

Um ponto negativo, que de longe tira os méritos do jogo, é que determinadas habilidades só surgem após algum chefe ser abatido. Ou seja, para quem gosta de explorar primeiro o mapa atrás de itens (meu caso), se sentirá na obrigação de enfrentar algum chefe para avançar.



 

E se o jogador ficar empacado ali no chefe, ele sequer consegue ir a certos lugares explorar por não possuir determinada habilidade. Claro que isso pode ser entendido como um recurso estratégico dos criadores para que o jogador não lute com habilidades e níveis mais avançados que o chefe.

 

Nine Sols traz alguns elementos criativos como os talismãs, incorporando novas mecânicas e dando mais fôlego ao gênero Metroidvania. Mostra que sempre algo novo pode surgir, mesmo quando muitos pensam que a saturação chegou. É brutal e desafiador, mas é belo e imersivo. Não perca mais tempo, New Kunlun e seus desafios estão lhe aguardando.

Trailer do jogo:


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