Entrevista/ Letícia Barbosa




Hoje trago para o nosso bate papo esportivo no Teoria Cultural uma mulher. As mulheres estão cada vez mais ganhado espaço em vários setores da nossa sociedade e no futebol não seria diferente. Letícia é Carioca natural de Niterói(RJ) está desenvolvendo um trabalho muito bom e importante junto ao INSTITUTO GLORIOSO no Clube Botafogo de Futebol e Regatas. Vamos então conhecer um pouco do trabalho da nossa Convidada Letícia Barbosa e suas opiniões sobre futebol.


"Respeito, equidade, salários mais justos, direito de imagem em acordo ao que é praticado ao futebol masculino, acompanhamento dos principais veículos de comunicação e divulgação mais eficaz das partidas por parte dos clubes. "

Você é a primeira Mulher que convido para esse bate papo sobre futebol, pra começar gostaria de saber Como você tem visto o Momento do Futebol Brasileiro? R :Primeiro quero agradecer esse convite no qual me sinto orgulhosa demais por receber. Sobre o futebol brasileiro, não vejo num bom momento, entendo que estamos em transição para melhores momentos com a reformulação da gestão dos clubes. Hoje é muito nítido que não é apenas gestão de esportes e sim gestão empresarial, o clube precisa de estrutura operacional, planejamento estratégico/tático e operacionais, administração completa, visão e missão. Os clubes brasileiros perderam muitos atletas de alta performance por falta de competência em cuidar deste atleta como parte interessada aos objetivos do clube.

Na sua opinião qual a importância do Futebol de base para o Futebol Brasileiro? R: A categoria de base tem participação fundamental e muito influente no nosso país desde sempre. É na base que, o atleta aprende os fundamentos básicos para se tornar um profissional completo, na base é o momento de preparar esse atleta para a performance de toda sua carreira, seja emocional ou operacional, da base brasileira extraímos grandes copas mundiais e distribuímos nosso futebol para o mundo. Destaque o excelente trabalho na base que Fluminense Futebol Clube desenvolve. Felizmente o Brasil é excelente celeiro de atletas competentes e infelizmente o Brasil é o pais que mais perde esses atletas com preço de custo baixíssimo (muitas vezes é valor da venda não paga o investimento do clube).

Como você enxerga atualmente o Futebol feminino? R: Ainda me desagrada saber que o futebol feminino é marcado pela obrigatoriedade de o clube manter para que permaneça nos principais campeonatos do futebol masculino. Temos atletas muito competentes e manter o futebol feminino ativo só traz ganhos para o clube. Nos anos 90, o futebol feminino era ótima atração preliminar as partidas de futebol masculino, o que gerou muita visibilidade para essas atletas e fez que o Brasil fosse o pais que mais gerou atletas campeãs.

Em sua opinião o que falta para Futebol feminino ganhar mais evidência? R: Respeito, equidade, salários mais justos, direito de imagem em acordo ao que é praticado ao futebol masculino, acompanhamento dos principais veículos de comunicação e divulgação mais eficaz das partidas por parte dos clubes. Leticia é Botafoguense desde quando? Conte como tudo começou. R:Meus pais se conheceram no maracanã nos anos 80, neste relacionamento nasceu o fruto de amor alvinegro “eu”. Desde muito pequena eu sempre frequentei maracanã na companhia de meus pais, mesmo depois do divórcio minha mãe sempre me levou aos jogos e o amor foi só aumentando, em 1989 marcou minha infância pela comemoração e emoção de todos que ali estavam. 1995 acompanhei muito de perto, pois jogava futebol feminino atrás do gol dos jogadores no estádio Caio Martins e daí pra frente sempre ao lado do Botafogo.

O Botafogo voltando para série A o que você espera pra essa nova fase do clube? R:Espero que a diretoria esteja amadurecendo sua visão para que na série A o clube não fique brigando para cair novamente. Tenho gostado muito do trabalho da diretoria atual e acredito que daqui pra frente as coisas ficarão melhores. Você está em alguns projetos voltado para futebol muito interessantes, poderia falar um pouco sobre Bfs Carioca, Bola na área, Trindade Gloriosa e claro o Instituto Glorioso? R: O BSF carioca abriu portas muito importantes na minha vida e ampliou meus horizontes para me tornar comunicadora do Botafogo. O BSF e o Bola na área são dois projetos muito parecidos onde faço analises em pré e pós jogo das partidas do Botafogo, esses dois projetos são compostos apenas por mulheres que comentam futebol do Brasil inteiro. Através deste trabalho tive a honra de fazer duas amizades que junto comigo toparam o desafio de tocar uma página nossa de amor incondicional ao Botafogo e sempre preservando nossas amizades com este amor em comum o Trindade Gloriosa. A página da trindade tem como objetivo trazer lives com amigos que fizemos através da internet e que desenvolvem excelentes trabalhos falando sobre o Botafogo, além das lives também fazemos analises de pré e pós jogo sempre com toque de humor e amor o Glorioso. Através de indicação de uma das meninas do BSF sobre uma vaga de emprego fui apresentada ao Instituto O Glorioso, passei por entrevistas e fui aprovada. Meu trabalho no Instituto é voltado para as mídias e atividades administrativas gerais, o instituto tem como objetivo apoiar e realocar no mercado de trabalho ex- atletas que algum dia representaram o Botafogo e hoje este tem sido meu principal projeto.

Ainda sobre o Instituto Glorioso, Como o Instituto vem ajudado ex- atletas? R: Estamos buscando parcerias com faculdades, cursos profissionalizantes e assistência social. Estamos construindo um programa de sócio solidário para que os torcedores do Botafogo possam ajudar e contribuir para ajudar os ex- atletas. Aliás se puderem, sigam o Instituto o glorioso em todas as redes sociais e acessem o site para acompanhar as novidades www.oglorioso.com.br.

Vou tocar agora em um tema de suma importância que é assédio, como você tem visto essa questão nós estádios? Já passou por essa situação ou ficou sabendo? Qual sua opinião sobre isso? R: No estádio nunca passei por essa situação, mas fiquei sabendo e tive grande oportunidade de entrevistar a percursora da página Fogo no Assédio e durante a entrevista tive o desprazer de tomar conhecimento de algumas ocorrências dentro do estádio que muito me entristece. Li sobre algumas ideias que o BFR pretende implantar e destas uma me deixou um pouco desconfortável, que foi a segregação das mulheres aos homens na arquibancada. Enquanto acharem que a solução para terminar com assédio é afastando mulheres de homens, estes fatos ainda acontecerão. Acredito que a melhor maneira de lidar com este assunto é conscientizar e educar todos os torcedores, com instruções do que fazer caso veja alguma menina sendo assediada e educação do policiamento em estádios caso eles recebam alguma ocorrência, esses dois fatos já influenciariam muito positivamente.

Conversa boa é assim passa rapidinho, quero deixar registrado aqui minha gratidão e alegria em ter conversado com você, saber mais da Letícia e suas opiniões, obrigado. Mais antes de me despedir conta pra nós se tem mais algum projeto em vista? R:O agradecimento é totalmente meu é sempre muito bom saber que mulheres estão dividindo o mesmo ambiente que os homens na cobertura de futebol e no reconhecimento pelo trabalho prestado. Estou estudando muito para novos projetos e tenho me dedicado muito para que apareçam novas oportunidades, porém agora nenhum novo projeto. Saudações alvinegras!

 

SOBRE JAMILLE


É Mineira de Juíz de Fora, sonhadora e amante da arte, música e livros. Preza o bom humor e conversas divertidas. Botafoguense! Sempre que pode fala sobre seu amor pelo clube e ama falar de futebol.

 

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