Entrevista/ Fernando Andrade



Hoje inauguro a minha série de entrevistas e não poderia estar mais feliz e honrada. Então sem mais delongas, vamos conferir? Meu primeiro entrevistado é o Fernando Andrade natural do Rio de Janeiro, mas atualmente reside na Flórida EUA, jornalista e fotógrafo, é um apaixonado por futebol e vai nos contar hoje um pouco da sua experiência na área jornalística e suas opiniões sobre o futebol atual.


 

Bom dia Fernando como vai?

R: Tudo ótimo, Jamille e com você?


J: Estou bem, obrigada.

Fala pra gente um pouco do seu início no jornalismo?

R: O meu início no jornalismo foi muito aleatório. A minha mãe tinha uma papelaria no bairro do Maracanã e, ao lado da papelaria, o Hélio Turco, um dos maiores compositores da história da Mangueira, tinha um botequim. E em um domingo de jogo no Maraca, o Paulo Júnior, que era repórter e coordenador de esportes da Super Rádio Tupi, foi fazer um programa lá, chamado Botequim da Galera. Na maior cara-de-pau, eu cheguei para conversar com o PJ, falei que não era ouvinte da rádio, que não escutava rádio, que não sabia nada de rádio, mas que eu queria ser repórter esportivo e que queria um estágio. Depois de parar de rir da minha cara-de-pau, de pedir um estágio falando que não ouvia rádio e que não sabia nada, ele me mandou passar um domingo lá na Tupi. Eu comecei a estagiar na rádio até que, em 2001, eu me tornei setorista de Botafogo. Qual sua experiência mais marcante? (Se tiver uma foto para ilustrar )

Sem dúvida alguma, a minha experiência mais marcante foi a cobertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Eu fiz a cobertura do vôlei pela geradora de conteúdo do Comitê Olímpico Internacional, a OBS. Ter a oportunidade de ver o Brasil ser campeão olímpico de vôlei no Maracanãzinho, do lado de casa, foi sensacional. Poder entrevistar o Bernardinho, ganhar um abraço do Lipe, com a torcida ainda cantando. Fico arrepiado só de lembrar. Fora isso, poder entrevistar craques de outros países, como Rússia, Itália, Estados Unidos, e por aí vai.



Você tem acompanhando o futebol brasileiro? O que tem achado do momento pelo qual passa o esporte por aqui?

R: Eu acompanho o futebol brasileiro, sim. Infelizmente, não consigo acompanhar tanto quanto eu gostaria, por causa da distância, mas acompanho sempre que eu posso. Eu acho que o futebol brasileiro passa por um momento único, que tem seu lado positivo e seu lado negativo. É interessante, por exemplo, ver times como Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro, com grandes times e jogadores de peso, mas também é preocupante ver que outras equipes não conseguem acompanhar esse momento e a distância só aumenta. É fundamental que os outros clubes consigam se reestruturar, para que não se torne um campeonato só de dois ou três times, como vemos em alguns países europeus.

Você tem acompanhado o campeonato Europeu? Gostaria que você falasse um pouco sobre suas observações em relação ao futebol daí fazendo uma comparação com o nosso daqui

R: É difícil comparar o futebol europeu com o futebol brasileiro. Eu acho que a gente acaba comparando realidades muito diferentes. Muitos clubes da Europa se beneficiam de vendas a bilionários do mundo árabe, com um aporte financeiro muito superior aos clubes brasileiros. Embora a gente ainda pense em um futebol romântico, a verdade é que o dinheiro traz a qualidade técnica, com jogadores melhores, com treinadores melhores, com melhores centros de treinamentos, melhores estádios. Você é fotógrafo também, quais são suas referências na fotografia?

R: Pois é. Sou fotógrafo também, mas hoje acabo fotografando por lazer. Eu tive algumas referências, tanto pessoais, quanto profissionais. No lado pessoal, quem me influenciou muito foi um primo meu, o Nino Carlos, do canal de You Tube Sábias Bobagens, que é fotógrafo também e é como um irmão mais velho. Então, nós costumávamos sair para fotografar juntos e eu acabei me apaixonando por fotografia. Depois fui estudar um pouco de fotografia, focando mais em fotos de ação, fotojornalismo e fotos noturnas de longa exposição, que dão um efeito muito legal. Um cara que me influenciou muito foi um professor que eu tive na faculdade, o Marco Terranova, que já ganhou até um Prêmio Esso de Fotografia, que é o principal prêmio de fotojornalismo do Brasil. Ele faz muita foto de ação, principalmente de escaladas. Também tem um fotógrafo russo que eu gosto bastante, chamado Alexey Titarenko, que usa muito bem os recursos de longa exposição. Se alguém não conhece, vale a pena fazer uma busca.

Vascaíno desde quando? (Conte como essa paixão começou)

R: Eu diria que eu sou vascaíno desde que comecei a acompanhar e curtir futebol de verdade, com uns cinco ou seis anos. Meu irmão foi jogar futebol de salão no Vasco e eu acabei indo a São Januário praticamente todos os dias, durante muitos anos. Aí, como meu pai e meu irmão também eram vascaínos, a paixão só foi aumentando. Mas antes disso, até uns cinco anos, acho que eu devo ter sido "torcedor" de quase todos os times.

Como tem visto o momento do Vasco na série B? Acredita no acesso?

R: O Vasco melhorou bastante com a chegada do Fernando Diniz e do Nenê. Se você me perguntasse isso antes das contratações deles dois, eu te responderia que o Vasco não subiria. Atualmente, eu acho que pode subir, mas o caminho ainda é bem difícil. Como seria difícil vencer as partidas contra o Goiás e o Curitiba, mas vencemos.

Como surgiu a ideia de criar o canal Na Dividida?

R: A ideia surgiu de uma conversa com o Dani (Daniel Mendes, ex-atacante de Botafogo e Bahia). O Daniel foi revelado pelo Botafogo e jogava no clube no período em que eu cobria o time pela Tupi. Aí, nós acabamos nos reencontrando aqui em Orlando, por coincidência, trabalhando em uma empresa de tecnologia hoteleira, nada relacionado ao futebol. Só que o futebol é a paixão dos dois e, conversando sobre o quanto nós sentíamos desse mundo, resolvemos criar um projeto de podcast. Não seria nada com imagem. Só que chegou a pandemia e as lives no YouTube começaram a crescer. Por causa da pandemia, resolvemos que manteríamos o formato de resenha, bate-papo, bem comum ao podcast, mas que faríamos isso com uma câmera na frente. Atualmente, temos mais dois parceiros, o Isaque e o Bernardo, que representam os torcedores. Então temos um jornalista, um jogador e dois torcedores no nosso time. Fora os muitos convidados que já trouxemos e ainda vamos trazer. Para quem ainda não conhece, pode se inscrever em www.youtube.com/NaDividida e acompanhar nossas lives e assistir as transmissões anteriores. Já batemos um papo com craques como Geovani, Adílio, Donizete Pantera, Dodô, Cacau (ex-jogador da seleção alemã), entre outros.

O papo está ótimo. Quero agradecer por ter topado falar comigo para o Teoria, antes da gente encerrar, gostaria de saber se você tem algum projeto que pretende colocar em prática?

R: Temos alguns projetos para o Na Dividida, como a criação de novos quadros. Um que eu acho que vai ser bem legal e que a galera vai curtir muito, é sobre a visão dos estrangeiros sobre o futebol brasileiro. Em breve, teremos o Bernardo rodando por vários lugares do mundo e conversando com as pessoas nas ruas, sobre o que elas conhecem dos nossos times, jogadores, campeonatos, etc. Fernando Andrade


 

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Jamille Oliveira (Colunista)


É Mineira de Juíz de Fora, sonhadora e amante da arte, música e livros. Preza o bom humor e conversas divertidas. Botafoguense! Sempre que pode fala sobre seu amor pelo clube e ama falar de futebol.


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