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Em Interplay, Ride coloca talento e experiência em prol de novos e interessantes horizontes sonoros

O grupo abraça influências distintas e sem repudiar o próprio passado.

Foto: Divulgação


Independentemente da forte ligação que a banda inglesa Ride tenha com o gênero Shoegaze, importante não deixá-la de lado quando analisamos a história da música através dos anos. Com dois discos iniciais emblemáticos e pesados, “Nowhere” (1990) e “Going Blank Again” (1992), a banda não teve medo de também encarar o território Pop-Rock em “Carnival Of Light” (1994).

 

E claro, como toda história tem seus altos e baixos, igualmente estamos diante de uma banda que errou ao produzir o fraquíssimo “Tarantula” (1996). Um disco que não representava a capacidade e o poder criativo desse quarteto de Oxford.

 

Ainda em 1996, o grupo anunciou sua separação. Entretanto, músicos inquietos não conseguem parar no tempo. Projetos musicais como o Hurricane #1 de Andy Bell surgiram. O próprio Andy foi baixista do Oasis entre 1999 e 2009.

 


Em 2017, os ingleses resolvem retornar. Com muitas expectativas, "Weather Diaries" foi lançado no mesmo ano, trazendo toda a experiência e o talento do quarteto. Porém, esse retorno significou muito mais que uma pequena faísca. “This Is A Not Safe Place”, o segundo álbum, seria lançado em 2019.

 

O terceiro disco pós-retorno chega em 2024, trazendo um grupo criado nos 90’s mas que agora vai se adaptando aos tempos modernos. E faz isso bem, explorando outros territórios musicais, criando uma dinâmica instrumental ainda mais ampla, abraçando influências distintas e sem repudiar o próprio passado.

 

‘Last Frontier’, um dos grandes destaques do álbum, tem um sabor 80’s contagiante, segue por uma melodia que lembra algumas pérolas musicais do Echo And The Bunnymen. Da mesma forma, a sonoridade eletrônica meio Duran Duran/meio New Order que domina ‘Monaco’ comprova como o grupo não está com medo de se envolver em outros horizontes sonoros.

 

O Ride 90’s se faz presente em faixas como ‘Light In A Quiet Room’ e ‘Last Night I Went Somewhere to Dream’. A primeira começa tímida, contudo, em seguida, explode furiosa mostrando como os ingleses sabem fazer um barulho com um instrumental capaz de atingir panoramas caóticos. A segunda faixa citada carrega um refrão certeiro com harmonias vocais e texturas de guitarras marcantes que o grupo traz desde sua origem.

 

A química entre Mark Gardener e Andy Bell ainda funciona bem, sobretudo em canções como ‘Peace Sign’, eficiente na abertura do disco. ‘Stay Free’ retira o peso do instrumental priorizando um cenário mais acústico, suavizado e climático. Um Ride mais quieto e melancólico, entretanto ainda criativo.

 


Mesmo quando o grupo soa estranho aos nossos ouvidos, a tentativa de ousar é valiosa. Caso de ‘Essaouira’ que, com seus 7 minutos, não é fácil de assimilar prontamente. Fugindo em parte dos padrões da banda, traz uma batida típica do gênero Trip-Hop entre samplers e sintetizadores. Fechando o álbum, ‘Yesterday Is Just A Song’ parece querer se afundar numa sonoridade psicodélica 70’s, deixando o grupo mais experimental e etéreo.



A exemplo de grandes nomes como Blur e Slowdive, outro grupo veterano que atravessa décadas, mesmo que em algum momento de sua trajetória tudo indicava para um fim definitivo. Pelo contrário, é um novo tempo que chega. Com muito mais para revelar, com a maturidade em alta e com a música sempre em seu estado criativo de elaboração.

 

Interplay

Ride


Ano: 2024

Gênero: Indie Rock, Shoegaze, Synth Pop

Ouça: "Last Frontier", "Monaco", "Peace Sign"

Humor: Nostálgico, Agridoce, Vivaz

Pra quem curte: Slowdive, My Bloody Valentine


 

 

NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

Confira o clipe de "Last Frontier"










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