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Em 'Deep In View' Cola faz sua estreia focado em uma sonoridade pós-punk moderna e melódica

Tudo no som do Cola gira em torno de elementos mínimos, mas dotados de uma particularidade envolvente

Imagem Reprodução.


Após o término da banda de art punk de Montreal, Ought, alguns dos seus membros criaram um novo grupo, chamado Cola. Tim Darcy (vocais e guitarra) e Ben Stidworthy (baixo) desenvolveram um som característico e particular enquanto ainda faziam parte da banda Ought. Contudo, com o fim do grupo, eles deixaram o som enfático e alto para trás para embarcar em uma sonoridade mais pós-punk e natural. Isso fica bastante evidente no primeiro disco do novo projeto 'Deep in View', lançado em 2022.


O trio, composto pelo baterista Evan Cartwright, lidera suas músicas, que podem soar complexas e confusas no início, mas os ângulos que eles adotam para embasar cada canção criam uma espécie de ciclo hipnótico. Tudo no som do Cola gira em torno de elementos mínimos, mas dotados de uma particularidade envolvente. A batida constante que corre pelas veias de 'Deep in View' é estabelecida logo na faixa de abertura "Blank Curtain", um groove poderoso com solos de guitarra sujos e bateria tão forte e imutável que poderiam ser confundidos com uma bateria eletrônica.



Justamente esses pontos na sonoridade do Cola que chama a atenção. Tudo foi reduzido para uma ambientação minimalista, mas pontual em todos os elementos. A sequência com "So Excited" aborda uma atmosfera mais densa e nervosa, comparações com bandas como Fontaines D.C. se tornam impossíveis de não serem pautadas aqui. O trio canadense consegue diluir discretamente uma energia que funciona como um gerador de tensão, tornando o disco um caldeirão fervente do pós-punk.


O primeiro disco do grupo fala sobre as ansiedades contemporâneas criadas pela tecnologia em um mundo à beira da destruição, trazendo sua perspectiva do mundo de forma abstrata para o presente.

Em outros momentos, a bateria certeira de Evan na faixa pop "Water Table", faz lembrar as batidas do Joy Division, enquanto a canção deságua em versos líricos e harmoniosos, como se você fizesse uma viagem sinuosa pela mente de Darcy enquanto ele canta agridocemente. Impossível não notar a melodia dissonante de "Mint" que reforça ainda mais as referências ao já citado Fontaines, vale também colocar nessas linhas a banda Iceage. A melodia e o som chamativos do Cola transmitem um ar de modernidade, algo bem caracterizado no pós-punk moderno contemporâneo.



As composições de Darcy costumam retratar o elo entre as pessoas, mas essas músicas foram criadas sob uma perspectiva mais introspectiva do que as grandiosas narrativas do Ought. Muitas dessas letras surgiram durante seus momentos mais solitários no isolamento provocado pela pandemia do COVID-19. "Lander", música que encerra o álbum de oito faixas, destaca os vocais falados e cantados do compositor, enquanto "Fulton Park" pode ser uma grande surpresa, proporcionando uma viagem ao ouvinte entre Wire e Spoon.


Por mais que 'Deep in View' não apresente nada de novo para o gênero, vale a pena conferir o trabalho do trio, que esboça que eles têm muito ainda por dizer e limites a ultrapassar. O álbum tá mais para uma estreia robusta, envolvente e melódica. Um caminho ramificado com os melhores elementos do Ought.

 

Deep in View

Cola


Lançamento: 20 de maio de 2022

Gênero: Pós-Punk, Rock

Ouça: "Water Table", "Mint" e "So Excited"

Humor: Peculiar, Enérgico, Ansioso


 

NOTA DO CRÍTICO: 7,5

 

Veja o vídeo de "So Excited"



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