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Em 'After the Magic' o sul-coreano Parannoul se dissolve em canções surrealistas e maximalistas

Um disco para quem gosta de Slowdive e Lush.

Arte da capa de After the Magic. Imagem Reprodução.

O compositor sul-coreano, anônimo, conhecido apenas pelo seu nome artístico Parannoul, chegou ao seu terceiro disco de estúdio, ‘After the Magic’ (2023), um trabalho que coloca em evidência tudo o que o artista tem feito desde as primeiras composições, são canções que mergulham agridocemente no dream pop, shoegaze e indie pop trazendo à tona sentimentos que transitam entre passado, presente e futuro. Tudo isso revestido por ótimas camadas de sintetizadores, guitarras profundas e melodias que costumam grudar de vez na alma. Pouco se sabe sobre Parannoul, ele mora em Seul, e protege com unhas e dentes sua privacidade. É adepto de trabalhos colaborativos e expressa seus sentimentos e visão de mundo através da música. Isso tudo de um modo nada convencional.


Embora Parannoul não tenha deixado de lado completamente as guitarras que faziam seus trabalhos anteriores serem comparados a Smashing Pumpkins, a maior surpresa em 'After the Magic' é como ele revisita esses elementos, dando uma dinâmica mais expansiva e experimentalista ao trabalho. Ao logo dos anos, ele passou a ficar conhecido pelos trabalhos colaborativos, e aqui, não é diferente. As participações de Rei Miyamoto, da banda japonesa Vampilla e da conterrânea Della Zyr acrescentam ainda mais elementos para o disco desenvolver sua narrativa sonora.


Ao todo, são 10 canções e pouco mais de 59 minutos, onde o compositor explora ambientações surrealistas e atmosferas climáticas, algo que já fica logo explícito na faixa de abertura “Polaris”, uma canção que lembra de longe o rock dos anos 90 e brinca nostalgicamente com sua paisagem coberta por boas guitarras e melodias que convidam o ouvinte a mergulhar na proposta do álbum. Parannoul reforça ainda mais seu talento de produção criativa apresentado no disco anterior ‘To See the Next Part of the Dream' (2021). Como se ele seguisse justamente do ponto onde parou, porém, bem mais experimental. “Insomnia” se dissolve perfeitamente em uma canção pop surrealista e maximalista.


Muitas dessas canções demonstram uma clara influência de algumas das bandas mais tranquilas e memoráveis que surgiram na era de ouro do shoegaze, como Slowdive e Lush. Essa variação estilística é ainda mais enfatizada por alterações significativas na complexidade das composições.

“Arrival” é outro ponto cristalino do álbum. Destaque para o instrumental a base de teclados e sintetizadores que conversam poeticamente com os vocais nostálgicos cobertos por ondas eletrônicas que lembram a banda M83. O clima que Parannoul cria em seu novo disco é estranho e esquisito, vem do paradoxo de músicas projetadas para grandes arenas, entretanto, produzida em uma sala pequena, arquiteturas criadas em um computador apenas por uma pessoa. Características que fazem aumentar ainda mais os mistérios que cercam o compositor e multi-instrumentista sul-coreano. Ele mesmo, disse poucas palavras sobre o novo álbum: “Este álbum não é o que você esperava, mas o que eu sempre quis.” "Imagination" brilha com sua sonoridade que alterna perfeitamente entre o shoegaze, indie e noise. Guitarras ruidosas, melodias doces e serenas, que se abastecem de espaços saltitantes e viagens espaciais.


"Parade" pode ser a faixa que melhor expõe os traços experimentais de Parannoul, alternando de ritmos sem perder o equilíbrio e harmonia do álbum. A faixa-título (After the Magic) que encerra o disco, mais parece uma canção pop de ninar embasada por um k-pop munido de uma sonoridade eletrônica espacial, tristonha e acolhedora. Um desfecho sensacional para um disco que a todo momento entrega reflexões sobre as construções de memórias afetivas, aquelas cenas familiares que vira e mexe tomam conta de nossos pensamentos, em outros momentos, pode ser uma exploração interior das nossas próprias emoções. Um capítulo de nossas vidas que vem a deriva como uma onda que quebra na praia.

Partindo de uma base progressiva e exploratória, Parannoul faz de cada música um marco grandioso. São canções que, em geral, começam pequenas, mas podem se transformar em grandes e intensos redemoinhos sonoros. Talvez o que ele tanto queira dizer é que em cada nascer do sol, existem inúmeras possibilidades. Cada emoção deve valer a pena e soar avassaladora. 'After the Magic' pode até soar repetitivo em certos momentos, longo em outros, mas nada que diminua a grandeza e singularidade deste disco de boas melodias, guitarras e belezas cristalinas, a começar pela bela capa que reflete essa ambientação onírica que tanto vaga pelo disco.

 

After the Magic

Parannoul


Lançamento: 28 de janeiro de 2023

Gênero: Shoegaze, Dream Pop, Indie Pop

Ouça: "Insomnia", "Imagination", "After the Magic"

Humor: Nostálgico, Espacial, Viajante


 

NOTA DO CRÍTICO: 8,0

 

Ouça "Imagination" abaixo:


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