Doublespeak traz em seu álbum homônimo a força do Synth Pop em releituras cativantes
- Eduardo Salvalaio

- 24 de jul.
- 2 min de leitura
Três veteranos da música eletrônica transformam clássicos de diferentes épocas em um tributo elegante ao Synth Pop

Supergrupos ficaram comuns no mundo da música, sobretudo em tempos onde a tecnologia aproximou distâncias e facilitou técnicas de gravações. Claro que podemos pensar como um projeto musical, uma forma do artista fazer algo fora de sua banda sem perder seu talento e suas características. Com a parceria de outros artistas igualmente criativos, o resultado tende sempre a ser algo capaz de despertar nossa curiosidade.
No passado, tivemos nomes importantes como The Traveling Wilburys reunindo grandes talentos como George Harrison, Bob Dylan, Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne. Na atualidade, supergrupos como o Muzz juntaram artistas como Paul Banks (Interpol), Matt Barrick (The Walkmen) e Josh Kaufman (Bonny Light Horseman). E o que dizer do FFS? A parceria inusitada entre os escoceses do Franz Ferdinand e a longeva dupla Sparks que funcionou muito bem.
Doublespeak traz três grandes expoentes da música eletrônica. Saindo com méritos da escola 80’s e amigos desde aquela época, temos Vince Clarke (Depeche Mode, Erasure) e Neil Arthur (Blancmange). O trio fica completo com o produtor musical inglês Benge que também colaborou em alguns trabalhos do Blancmange.
Em seu disco homônimo, o supergrupo se preocupou em fazer releituras de canções de distintos artistas/grupos. O disco abraça desde grandes nomes da Eletrônica (‘Back To Nature’ do Fad Gadget) até referências notáveis do mundo Pop Rock (‘Goodbye To Love’ do The Carpenters).
Seja homenageando famosos artistas (através da boa versão de ‘The Visitors’ do ABBA), seja lembrando outros menos comentados ou até mesmo obscuros (‘Richard!’ do cantor inglês Ed Dowie), o Doublespeak explora uma sonoridade que se encharca de um Synth Pop interessante e que foge da obviedade.
A intenção é não fugir muito das versões originais. Então, difícil o ouvinte não sentir a mesma sonoridade incisiva que invade a vibrante ‘I Can’t Escape Myself’ (clássico do Pós Punk composto pela banda londrina The Sound). ‘Smoke And Mirrors’ captura a melancolia certeira do The Magnetic Fields. E ainda temos a melódica ‘Brand New Life’ do Young Marble Giants.
Um supergrupo que traz um diferencial bem peculiar: mostra que não precisamos temer covers, sobretudo quando elas ficam tão boas quanto às versões originais, mesmo num gênero diferente. Que venham mais ideias tão interessantes quanto essa e que não demore a sair um próximo disco do Doublespeak.

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